Baggio: ‘As crianças não brincam mais nas ruas e há poucos italianos na Serie A’

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Milão (10/05/2026) — Em entrevista ao Corriere della Sera, Roberto Baggio, vencedor da Bola de Ouro de 1993, atribuiu a terceira ausência consecutiva da Itália em Copas do Mundo à soma de dois fatores: a redução do futebol de rua entre crianças e a baixa utilização de jogadores italianos na Série A.

Por que as palavras de Baggio ganham peso agora?

De 2018 para cá, a Azzurra deixou de disputar três Mundiais seguidos (2018, 2022 e 2026) – algo inédito em 100 anos de participação. A crise ganhou contornos ainda mais profundos após a queda para a Bósnia na repescagem europeia, que culminou nas saídas de Gennaro Gattuso e Gianluigi Buffon da comissão técnica. Nesse cenário, a análise de um ícone como Baggio ajuda a iluminar gargalos estruturais que vão além do banco de reservas.

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Menos italianos em campo: o dado que sustenta a crítica

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Segundo relatório do CIES Football Observatory de novembro de 2025, apenas 34% dos minutos da Série A 2024/25 foram jogados por atletas formados na Itália. A proporção é inferior à da Bundesliga (47%) e da La Liga (42%), reforçando a tese de um campeonato cada vez mais internacionalizado.

Futebol de rua em queda: sintomas na base

O último censo da FIGC indica que o número de crianças registradas em escolinhas federadas caiu de 920 mil (2015) para 835 mil (2025). Baggio relaciona a estatística à ausência de “jogo livre” nas calçadas, historicamente fonte de criatividade para craques como Totti, Del Piero e o próprio camisa 10. Ele defende “uma fórmula que descubra, proteja e nutra” novos talentos, sugerindo incentivos à formação doméstica.

Raio-X da crise

  • Copas perdidas: 2018, 2022 e 2026.
  • Quedas em repescagens: Suécia (2017) e Bósnia (2025).
  • Minutos de jogadores italianos na Série A 2024/25: 34%.
  • Jogadores Sub-23 convocados em 2025: 4 em 26 possíveis.
  • Títulos de base da Itália na última década: Campeonato Europeu Sub-19 (2023) — único troféu.

O debate sobre o novo comandante

Com Guardiola ventilado pela Gazzetta dello Sport, mas considerado fora da realidade orçamentária, os nomes de Antonio Conte e Massimiliano Allegri emergem como opções imediatas. Conte, hoje no Napoli, admitiu que se colocaria “à disposição da seleção” ao fim da temporada, respaldo que recebeu do presidente Aurelio De Laurentiis.

Impacto futuro: o que muda para a Azzurra?

Se a FIGC adotar medidas para aumentar a minutagem de atletas locais — seja via limite de estrangeiros ou bônus financeiros a clubes formadores — a Série A pode voltar a ser laboratório da seleção já no ciclo da Euro 2028. Sem mudanças, a dependência de naturalizações – criticada por Baggio – tende a crescer, elevando os riscos de nova ausência no Mundial 2030.

O diagnóstico de Roberto Baggio escancara que a crise não é apenas de técnicos ou dirigentes, mas estrutural. A próxima escolha da FIGC para o cargo de treinador e eventuais reformas no regulamento da Série A dirão se o tetracampeão mundial reencontrará seu caminho a tempo do próximo ciclo qualificatório.

Com informações de Trivela

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