Milão, 27/05/2026 — A Federação Italiana de Futebol (FIGC) voltou à estaca zero na escolha do novo técnico da seleção após a renúncia de Paolo Maldini (diretor de seleções) e Leonardo (consultor). A dupla abandonou os cargos nesta segunda-feira depois de a entidade vetar Andrea Pirlo, indicado por eles, devido ao vínculo do treinador com uma casa de apostas russa.
Crise institucional: como a Itália chegou a este impasse?
Desde a eliminação para a Bósnia e Herzegovina na repescagem da Copa do Mundo de 2026, a Azzurra não tem comandante efetivo. O plano A era Pep Guardiola, que recusou por desejar um período sabático. Pirlo tornou-se o plano B, mas foi barrado. O episódio levou Maldini e Leonardo a entregarem seus cargos, esvaziando o comitê que definia o ciclo até 2030.
Pirlo vetado: conflito de interesses com apostas
A FIGC considerou incompatível o contrato comercial que Pirlo mantém com uma empresa de apostas registrada na Rússia. A legislação esportiva italiana prevê conflito de interesses quando um funcionário ou contratado da federação tem relação remunerada com operadores de jogo. Diante do impedimento, Giovanni Malagò, presidente recém-eleito da FIGC, indeferiu o nome do ex-meia campeão do mundo.
Quem pode assumir? Thiago Motta e o possível retorno de Mancini
Sem Maldini e Leonardo, a federação busca uma solução rápida:
- Thiago Motta — 43 anos, ex-Bologna e Juventus. É visto como técnico de ideias modernas, bom gestor de base e familiarizado com os jovens talentos que vêm das seleções sub-21 e sub-19.
- Roberto Mancini — Campeão da Euro 2021 com a Itália. Demitido após a queda na repescagem para a Copa de 2022, agrada a cúpula pelo perfil veterano e experiente.
A expectativa da FIGC é anunciar um nome até terça-feira (28/05) para retomar o planejamento dos próximos compromissos oficiais.
Raio-X: desempenho recente da Azzurra
Últimos três ciclos de Copa: ausências em 2018, 2022 e 2026.
Campanha sob Gattuso (2024-26): 12 jogos oficiais, 6 vitórias, 3 empates, 3 derrotas; eliminação para a Bósnia na repescagem (agregado 2-3).
Interino atual: Silvio Baldini (seleção sub-21) comandou dois amistosos em maio: vitória 2-1 sobre a Romênia e empate 0-0 com a Noruega.
Impacto tático dos cotados
Thiago Motta costuma alternar o 4-2-3-1 e o 3-4-2-1, valorizando posse e pressão alta. No Bologna, elevou a média de recuperações no último terço para 6,8 por jogo — a terceira maior da Serie A 2025/26.
Imagem: anuele Roberto De Carli
Mancini é identificado com o 4-3-3 que levou ao título continental em 2021. Naquele torneio, a Itália teve média de 56 % de posse e apenas 4 gols sofridos em 7 partidas, a melhor defesa da competição.
O que está em jogo até 2030?
O próximo técnico terá, de imediato, a Liga das Nações: estreia em 25 de setembro contra a Bélgica. Em paralelo, a FIGC quer reorganizar as seleções de base e unificar metodologia de treinamento visando a Copa do Mundo de 2030, objetivo estratégico após três ausências consecutivas.
Conclusão prospectiva: A escolha entre um treinador emergente como Thiago Motta ou o retorno de um campeão europeu como Mancini definirá o rumo técnico e institucional da Azzurra. Qualquer atraso adicional comprometerá a preparação para a Liga das Nações e, sobretudo, o redesenho do projeto de longo prazo que deve reconduzir a tetracampeã mundial ao palco das Copas. O anúncio previsto para esta terça-feira será decisivo para estabilizar — ou aprofundar — a crise no futebol italiano.
Com informações de Trivela