Milão, 22 de julho de 2026 — Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o ex-meia Massimo Mauro, campeão italiano por Juventus e Napoli, criticou a chegada do técnico português Ruben Amorim e a contratação do atacante Gonçalo Ramos pelo Milan. Para Mauro, o 3-4-3 ofensivo do treinador “pode ser perigoso” na Serie A caso o elenco não esteja 100% adaptado às suas exigências táticas.
Por que o 3-4-3 de Amorim desperta desconfiança na Itália
Reconhecido pelo jogo posicional e linhas altas de marcação, Amorim teve enorme sucesso no Sporting, mas sofreu na Premier League com o Manchester United — onde acabou demitido em janeiro após sequência negativa. Na Serie A, um campeonato historicamente mais tático e com defesas organizadas, a proposta ofensiva traz riscos:
- Amplitude pelos alas: o 3-4-3 exige alas com fôlego para atacar e recompor; hoje o Milan tem poucos especialistas na função.
- Defesa exposta: em 2025/26, o Milan já terminou fora do G-4 e com média superior a um gol sofrido por partida; linhas adiantadas podem ampliar o problema se a transição defensiva não for ágil.
- Tempo de assimilação: a pré-temporada na Itália é curta. Qualquer tropeço inicial pode complicar a luta por vaga na Champions League, perdida na última jornada do campeonato passado.
Raio-X de Gonçalo Ramos: o que o novo atacante entrega
Contratado por 70 milhões de euros, Ramos chega para substituir Olivier Giroud, artilheiro rossonero nos últimos anos. Eis os números de sua carreira profissional em competições oficiais:
- Benfica (2021/22 e 2022/23): 27 gols em 47 jogos na última temporada completa em Lisboa, sendo o artilheiro da Liga Portugal.
- Paris Saint-Germain (2023/24 e 2024/25): 14 gols e 4 assistências em 55 partidas, mas sem se firmar como titular absoluto diante da concorrência de Mbappé e Dembélé.
- Seleção de Portugal: 8 gols em 16 convocações, incluindo hat-trick nas oitavas da Copa do Mundo 2022.
Do ponto de vista tático, Ramos é um 9 de movimentação, que busca espaços entre linhas e ataca o primeiro pau — características compatíveis com o 3-4-3 de Amorim, onde o centroavante precisa participar da construção e pressionar a saída rival. No entanto, o salto de rendimento esperado lembra o “efeito Giroud” citado por Mauro: chegar sem status de estrela do antigo clube e se reinventar em Milão.
Como fica o elenco do Milan após as primeiras mexidas
Além de Ramos, o clube trabalha para renovar com pilares do ciclo anterior. A prioridade da diretoria é:
Imagem: IMAGO
- Segurar Theo Hernández: peça-chave como ala esquerdo no novo sistema.
- Reforçar a zaga: o esquema com três defensores precisa de ao menos cinco peças de rotação; um zagueiro canhoto está no radar.
- Volante construtor: Benacer é cotado para permanecer, mas o clube monitora alternativas caso chegue proposta da Premier League.
Calendário e impacto futuro
O Milan estreia oficialmente na Serie A em 24 de agosto e, já na 4ª rodada, enfrenta a Juventus fora de casa — primeiro grande teste do 3-4-3. Antes, terá dois amistosos na International Champions Cup, onde Amorim deve ensaiar a nova ideia de jogo. Um início consistente será vital, pois a temporada sem Champions League amplia a pressão por resultados imediatos e pela volta à elite continental em 2027/28.
Conclusão prospectiva: As declarações de Massimo Mauro ecoam o debate interno sobre risco versus recompensa. Se a química entre o modelo de Ruben Amorim e o elenco — reforçado por Gonçalo Ramos — acontecer rapidamente, o Milan pode transformar crítica em combustível para retomar protagonismo nacional. Caso contrário, a advertência do ex-meia ganhará força e a diretoria será cobrada já na primeira metade da temporada.
Com informações de Trivela