São Paulo, 21/05/2026 – O jornalista britânico Tim Vickery afirmou que Neymar, convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026, “não tem condições de ser o cara do hexa” da Seleção Brasileira. A declaração foi feita no programa Futebol em Contexto, da Trivela, e coloca em xeque o papel do camisa 10 após sua recuperação de uma ruptura do ligamento cruzado anterior, ocorrida em outubro de 2023.
Por que a dependência em Neymar voltou ao centro do debate?
Desde 2010, quando estreou pela Seleção, Neymar foi o principal foco criativo do Brasil. No ciclo atual, entretanto, múltiplas lesões e um período de inatividade de quase dois anos abriram espaço para questionamentos. Mesmo com a ascensão de Vinicius Júnior no Real Madrid e a boa fase de Raphinha no Barcelona, a Seleção ainda não encontrou um protagonista incontestável em jogos oficiais. Vickery argumenta que essa lacuna levou jogadores e parte da mídia a “se esconderem” atrás da figura de Neymar, evitando assumir responsabilidades decisivas.
Raio-X de Neymar na Seleção
34 anos – idade na Copa de 2026
79 gols – segundo maior artilheiro da história da Seleção (atrás de Pelé, 95)
128 partidas – jogos oficiais com a camisa amarelinha
Último jogo – 17/10/2023, contra o Uruguai, pelas Eliminatórias, quando sofreu a lesão no joelho esquerdo
Minutos em campo pós-lesão – 0 pela Seleção até a convocação de 2026
Os números confirmam a relevância histórica, porém expõem o hiato competitivo recente. A incógnita física reforça a tese de Vickery de que Neymar deve ser tratado como “elemento de apoio”, não como líder absoluto.
Como Ancelotti pode redesenhar o time sem sobrecarregar o camisa 10
Formado na escola de Arrigo Sacchi, Ancelotti valoriza equilíbrio e responsabilidade coletiva. O técnico italiano nunca testou Neymar desde que assumiu em junho de 2025 e conta com um trio ofensivo em potencial (Vinicius Jr., Rodrygo e Raphinha) que atua em alto nível na Europa.
- Titularidade condicionada: a comissão analisa usar Neymar em blocos de 30–40 minutos, preservando explosão e criatividade para momentos-chave.
- Novo eixo criativo: Vinicius Jr., livre para flutuar da esquerda ao centro, passa a ser o principal gatilho de transição, enquanto Neymar pode agir como “último passe” entrelinhas, reduzindo a exigência física de condução.
- Sistema 4-3-3 flexível: Casemiro ou João Gomes resguardam a base da jogada; Paquetá faz a ponte; Neymar entra entre linhas quando necessário. Sem ele, Paquetá e Rodrygo alternam função de meia atacante.
Impacto futuro: o que observar nos amistosos pré-Copa
Nos testes contra México e Estados Unidos, já agendados para julho, Ancelotti pretende mensurar:
Imagem: Imago
- Carga de minutos suportada por Neymar sem perda de intensidade.
- Sintonia ofensiva entre Vinicius Jr. e o camisa 10 – chave para romper defesas baixas.
- Postura dos demais atacantes; se continuam “procurando” Neymar ou assumem protagonismo independente.
Se a comissão confirmar a eficácia de um Neymar “situacional”, o Brasil poderá apresentar variações táticas que diminuem o risco de nova dependência individual. Caso contrário, o alerta de Tim Vickery pode se materializar em campo.
Conclusão prospectiva: A discussão conduzida por Vickery serve de termômetro para a preparação do Brasil. A Seleção chega à América do Norte pressionada a equilibrar a herança técnica de Neymar com a necessidade de um sistema onde múltiplos jogadores decidam. Os amistosos de julho e os treinos fechados em Orlando serão decisivos para saber se o hexa passará ou não por um protagonismo compartilhado.
Com informações de Trivela