Foxborough (EUA), 26/03/2026 – A Seleção Brasileira perdeu por 2 a 1 para a França em amistoso realizado no Gillette Stadium, em Foxborough, e o resultado gerou questionamentos sobre o estágio do trabalho de Carlo Ancelotti faltando pouco mais de dois meses para o início da Copa do Mundo de 2026.
Desfalques mudam a fotografia do jogo
Dos 11 que começaram a partida, apenas Casemiro, Vinícius Júnior e Raphinha são titulares habituais do técnico italiano. Peças consideradas incontestáveis — Alisson, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães — não foram liberadas pelos departamentos médicos de seus clubes. O atacante Rodrygo, que já está fora do Mundial por lesão ligamentar, também se soma à lista.
Essa lacuna de titulares explica em parte por que Ancelotti recorreu a um quarteto ofensivo formado por Gabriel Martinelli, Raphinha, Vinícius Júnior e Matheus Cunha, solução que ainda carece de entrosamento.
Cohesão francesa X fase de transição brasileira
A França de Didier Deschamps, no cargo desde 2012, alinhou um ataque com Michael Olise, Hugo Ekitike, Ousmane Dembélé e Kylian Mbappé. A diferença principal não foi a qualidade individual — embora superior —, mas o repertório coletivo: as trocas de posição do quarteto abriram espaços para as infiltrações que originaram os gols de Ekitike e Mbappé.
O Brasil, por outro lado, viveu quatro comandos técnicos desde o fim da Copa de 2022 (Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e agora Ancelotti). A oscilação de ideias explica a menor fluidez: movimentações desconectadas, pouca reação pós-perda e dificuldades na construção pelo corredor central.
Raio-X dos problemas identificados
- Construção sob pressão: o primeiro gol nasce de um erro de saída de bola de Casemiro; sem Bruno Guimarães, faltou um organizador mais baixo para quebrar a linha francesa.
- Amplitude sem profundidade: Martinelli e Raphinha mantiveram a largura, mas raramente atacaram as costas de Theo Hernández e Pavard; o time terminou o jogo com apenas três finalizações certas.
- Falta de sincronia defensiva: na jogada do 2-0, Léo Pereira e Bremer não alinharam a linha, permitindo que Mbappé atacasse o espaço entre lateral e zagueiro.
- Exceção positiva: Luiz Henrique entrou no segundo tempo e foi o único a repetir ações de um contra um, gerando o pênalti convertido por Vinícius Júnior que reduziu o placar.
O que dizem os números recentes
• Brasil pós-Copa 2022: 4 vitórias, 2 empates e 5 derrotas em 11 jogos oficiais e amistosos.
• Gols sofridos: média de 1,18 por partida desde a chegada de Ancelotti.
• Tempo de preparação: Ancelotti completa 10 meses no cargo; Deschamps superou 160 meses.
Imagem: IMAGO
Embora o recorte mostre queda de rendimento defensivo em relação à Copa de 2022 (quando o Brasil sofreu 3 gols em 5 partidas), o dado mais preocupante é a produção ofensiva: são apenas 10 gols marcados nessas 11 partidas, média inferior a 1 por jogo.
Próximos passos até a Copa
A comissão técnica já trabalha com a projeção de ter todo o elenco principal disponível nos amistosos de junho. A expectativa é retomar a base com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Wendell; Casemiro, Bruno Guimarães e Estêvão; Raphinha, Rodrygo (substituto a definir) e Vinícius Júnior. Além disso, a análise de desempenho identificou a necessidade de repensar o sistema de quatro atacantes em jogos contra seleções do primeiro escalão europeu.
Conclusão prospectiva: Mais do que acender o sinal vermelho, o revés em Foxborough serve como diagnóstico de que a Seleção depende da volta dos titulares para sustentar o modelo de jogo de Ancelotti. A janela de amistosos em junho, já com elenco completo, será o teste definitivo para calibrar entrosamento e definir se o 4-2-4 é viável ou se o meio-campo precisará de uma peça extra. Até lá, o desempenho individual de Vinícius Júnior e a recuperação física de Bruno Guimarães serão os principais termômetros do otimismo brasileiro para o Mundial.
Com informações de Trivela