Madri, 11 de maio de 2026 — A menos de sete meses para o início da Copa do Mundo de 2026, a Espanha vê surgir um Clásico particular na zaga: Dean Huijsen, do Real Madrid, e Gerard Martín, do Barcelona, disputam a última vaga de defensor na lista de Luis de la Fuente. O tema ganhou força depois que o programa “El Bar”, do jornal AS, revelou que, sem Huijsen, o Real Madrid poderia ir pela primeira vez na história recente sem jogadores na delegação espanhola.
Por que a discussão ganhou relevância agora?
Gerard Martín, 24 anos, tornou-se titular de Hansi Flick no Barcelona após a saída de Íñigo Martínez para o Al-Hilal. O rendimento consistente — elogiado por Sique Rodríguez e Jofre Mateu — jogou holofotes sobre o canterano culé. Já Huijsen, visto no início da temporada como zagueiro com potencial para marcar época no Real, perdeu espaço com Álvaro Arbeloa e não atuou sequer no último Clásico. A diferença de minutagem e influência no time explica a impressão de que Martín “chegou na frente” na corrida pela Roja.
Histórico recente: Real Madrid em risco de jejum na seleção
• Copa de 2018: 6 madridistas (Carvajal, Ramos, Nacho, Isco, Asensio, Lucas Vázquez).
• Copa de 2022: 4 madridistas (Carvajal, Asensio, Marco Llorente*, Nacho).
• Projeção 2026: 0, caso Huijsen seja preterido.
*Jogador que passou pelo clube e estava emprestado na época.
Se De la Fuente optar por Gerard Martín, a Espanha pode desembarcar na América do Norte sem representantes do clube merengue — cenário inédito desde 1950.
Raio-X tático dos zagueiros
Gerard Martín (Barcelona)
— Predominantemente canhoto, facilita a saída curta pelo lado esquerdo.
— Média alta de interceptações em campo aberto, característica valorizada por Flick para reter posse após pressão pós-perda.
— Já atuou como lateral em linha de três, o que agrada à filosofia híbrida de De la Fuente.
Dean Huijsen (Real Madrid)
— Destro, 1,93 m, vantagem no jogo aéreo e em bolas paradas ofensivas.
— Costuma carregar a bola superando a primeira linha de pressão, recurso que faz parte do modelo espanhol de construção.
— Experiência em categorias de base da seleção holandesa, mas regularizado para defender a Espanha, o que amplia leque de características na zaga.
Imagem: IMAGO
Os critérios de Luis de la Fuente
Em entrevistas recentes, o técnico afirmou que “não leva os melhores, mas os mais úteis ao plano de jogo”. O jornalista Íñigo Renedo avalia que Huijsen se encaixa melhor nesse plano por oferecer saída vertical e estatura para uma bola parada defensiva que, desde a Euro 2024, preocupa a comissão. Já Jordi Martí lembra que a Federação precisa equilibrar “peso político” entre grandes clubes, dando fôlego ao Madrid na lista final.
Impacto futuro para Real Madrid, Barcelona e a Roja
1. Mercado interno: Caso a vaga fique com Gerard Martín, o Real pode priorizar um zagueiro espanhol na próxima janela para evitar novo apagão de representantes.
2. Vestiário da seleção: A manutenção do caráter multipartidário sempre foi um ativo de coesão. Um elenco sem madridistas pressiona De la Fuente a gerir eventuais divisões.
3. Modelo de jogo: A escolha sinalizará se a Espanha investirá em um zagueiro construtor alto (Huijsen) ou em um canhoto de mobilidade (Martín), influenciando inclusive o meio-campo – especialmente a função de pivô na primeira fase de construção.
Conclusão: A convocação final deve sair em meados de setembro. Até lá, cada minuto em campo na pré-temporada europeia contará. Se Gerard Martín mantiver a curva ascendente, pode sacramentar um cenário raro em Copas: uma Espanha sem jogadores do Real Madrid. Já Huijsen precisa provar que pode entregar consistência e mobilidade ao nível exigido por De la Fuente para recuperar a tradição merengue na seleção.
Com informações de Trivela