Quem: Seleção da Espanha. O quê: vitória por 1 x 0 na prorrogação sobre a Argentina. Quando: domingo, 19 de julho de 2026. Onde: final da Copa do Mundo 2026. Por quê: atuação taticamente dominante, com 20 finalizações antes do primeiro chute argentino, garantiu o bicampeonato espanhol.
Pressão coordenada e posse qualificada: a essência do plano de De la Fuente
A Espanha manteve 65% de posse de bola e executou uma pressão zonal milimétrica que sufocou a construção argentina. Com Nico González aberto pela esquerda, Lionel Scaloni perdeu densidade no centro do campo, abrindo o entrelinhas onde Dani Olmo, Mikel Oyarzabal e Fabián Ruiz circularam livremente. A consequência direta foi a impossibilidade de Lionel Messi participar: o camisa 10 tocou na bola apenas duas vezes nos primeiros 20 minutos e finalizou zero vez nos 90 regulamentares.
Três etapas para neutralizar Messi
A marcação espanhola seguiu um protocolo de três trocas:
- Início: Marc Cucurella apertava Messi ainda no meio-espaço esquerdo.
- Transição: Aymeric Laporte assumia até a zona do círculo central.
- Final: Volantes (Rodri e Ruiz) fechavam o corredor interior, mantendo superioridade numérica na base da jogada.
Sem linhas de passe e sem a referência de Paredes para girar a bola, a Argentina assistiu à Espanha trocar 698 passes certos contra 374.
Ajustes de Scaloni e resposta espanhola
No intervalo, Paredes entrou e a Albiceleste voltou ao 4-1-3-2, tentando proteger o miolo. O efeito foi apenas a elevação temporária da posse (chegou a 44% entre os 46 e 60 minutos), mas as saídas continuaram travadas. Quando Ferrán Torres e Pedri foram lançados por De la Fuente, a Espanha ganhou verticalidade e fechou a noite com 1,72 xG gerado até marcar aos 106 minutos.
Imagem: IMAGO
Raio-X da final
- Posse de bola: Espanha 65% x 35% Argentina
- Finalizações: Espanha 20 (15 no tempo normal) x 1 Argentina
- Gols esperados (xG): Espanha 2,01 (incluindo prorrogação) x 0,05 Argentina
- Desarmes no terço final: Espanha 11 x 4 Argentina
- Sequência invicta espanhola: 9 jogos (6 vitórias, 3 empates) no Mundial
O bicampeonato e o que muda para 2030
Além de igualar a geração de 2010–2012 em conquistas, a Espanha encerra o torneio como a seleção de maior índice de passes completados no campo adversário (87%). O modelo de posse paciente, porém agressiva na recuperação, torna-se a nova referência para ciclos de seleções que enfrentarão a ampliação para 48 participantes. Já a Argentina sai com a lição de depender menos de Messi: nas fases de mata-mata, a equipe somou apenas 0,46 xG quando o camisa 10 não participou diretamente da jogada.
Impacto futuro: De la Fuente deve ser mantido até 2030, e jovens como Lamine Yamal (17 anos) projetam continuidade do modelo. Do lado argentino, cresce a pressão por renovação no setor central — Paredes e De Paul chegarão ao próximo ciclo com mais de 32 anos. A próxima Data-Fifa já servirá de termômetro para testar novas soluções de meio-campo e modelos de marcação que não se apoiem apenas na genialidade de Messi.
Com informações de Trivela