Ex-executivo da Nike aciona Corinthians na Justiça por R$ 500 mil após desvios de materiais

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São Paulo, 14 de abril de 2026 – Rodrigo Garrote, ex-executivo da Fisia — empresa responsável pela distribuição da Nike no Brasil — ingressou nesta segunda-feira na Justiça cobrando R$ 500 mil em indenização por danos morais do Sport Club Corinthians Paulista, da própria Fisia e de perfis digitais ligados à torcida alvinegra. O motivo é a divulgação de notícias que relacionaram seu nome ao suposto desvio de materiais esportivos do clube.

O que motivou a ação e quem são os réus

O processo foi protocolado após Garrote ter sido demitido por justa causa em 16 de março de 2026, sob acusação de “emissão ou utilização indevida de voucher para uso próprio ou de terceiros”. Segundo o ex-executivo, a dispensa veio acompanhada de um “instrumento de confissão de dívida” que teria sido assinado sem a devida assistência jurídica, caracterizando, em sua visão, vício de consentimento.

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Além do Corinthians e da Fisia, foram incluídos como réus perfis e sites que reproduziram a informação, entre eles Time do Povo, Meu Timão Notícias, SCCP News e Shorts do Timão. Garrote sustenta que as publicações “construíram narrativa dissociada da realidade”, atribuindo-lhe conduta criminosa sem provas.

Entenda o caso dos vouchers e os desvios de materiais

Em novembro de 2025, veio a público um relatório interno do Corinthians revelando indícios de desvio de produtos oficiais, com a utilização irregular de vouchers para retirada de itens em nome do clube. O documento, obtido pela ESPN na época, citava Garrote entre os envolvidos. A repercussão aumentou em abril, após sua saída da Fisia, quando páginas de torcedores voltaram a associar seu nome ao caso.

Garrote argumenta que não há “lastro probatório” que o ligue diretamente às irregularidades e que a menção a seu nome no relatório foi “distorcida” pelas redes sociais, causando abalo de imagem e prejuízo profissional.

Como a disputa judicial impacta o departamento de marketing do Corinthians

Para o Corinthians, o processo expande o problema para além do campo jurídico trabalhista, alcançando a esfera reputacional. A marca do clube está diretamente ligada à da Nike — fornecedora de material esportivo desde 2003, com contrato vigente até 2029. Uma ação do tipo coloca em xeque os controles internos sobre estoque, distribuição de uniformes e gestão de brindes a atletas e patrocinadores.

Do ponto de vista de compliance, o caso pode levar a:

  • Revisão de processos de liberação de vouchers e retirada de produtos no Parque São Jorge.
  • Adoção de auditorias externas para mitigar riscos operacionais.
  • Possível exposição financeira adicional caso a Justiça reconheça responsabilidade solidária do clube.

Raio-X | A parceria Corinthians-Nike em números e marcos recentes

Embora o contrato seja confidencial, estimativas de mercado indicam que o acordo rende ao Corinthians uma das maiores receitas de fornecimento de material esportivo do país. Entre os principais pontos:

  • Duração: renovado em 2019, com validade até 2029.
  • Royalties e bônus por metas de vendas: parcela variável atrelada ao desempenho nas lojas oficiais e ao e-commerce.
  • Exposição global: uniformes do Corinthians figuram entre os dez mais vendidos da Nike em todo o mundo, segundo rankings divulgados pela própria fornecedora em 2024.

Qualquer ruído na cadeia de distribuição, portanto, tem potencial para afetar diretamente receitas de licenciamento e patrocínios secundários.

Próximos passos: o que esperar dos desdobramentos na Justiça

O clube foi notificado, mas declarou que “não comenta processos em andamento”. Já a Fisia ainda não se manifestou publicamente. No curto prazo, o juiz deve avaliar a concessão de tutela de urgência pedida por Garrote para retirada das publicações apontadas como difamatórias. A depender do despacho inicial, o Corinthians poderá ser obrigado a apresentar provas de diligência ou retratar-se, sob pena de multa.

Se a ação prosperar, o caso tende a se arrastar em duas frentes: a trabalhista — envolvendo a justa causa — e a cível — referente aos danos morais pleiteados. Um acordo extrajudicial permanece como possibilidade, sobretudo para evitar maior desgaste de imagem às partes envolvidas.

Conclusão prospectiva: independentemente da sentença, o episódio pressiona Corinthians e Nike a reforçarem mecanismos de controle sobre o fluxo de materiais esportivos. Auditorias, revisão de contratos e maior transparência em relatórios internos devem ganhar prioridade, sobretudo com a temporada de 2026 ainda em curso e novas coleções de uniformes prestes a chegar às lojas.

Com informações de ESPN Brasil

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