Como, Itália – Cesc Fàbregas afirmou neste sábado (28/07/2026), às vésperas da Copa Como de pré-temporada, que o clube poderá inscrever apenas 16 ou 17 jogadores na próxima edição da Champions League por não atender aos critérios de jogadores “formados em casa” exigidos pela Uefa.
Por que o Como corre risco de jogar a Champions com elenco curto?
O regulamento da Champions determina que cada clube envie duas listas de atletas. Na Lista A, o limite é de 25 nomes, mas oito vagas são reservadas a jogadores formados localmente: quatro criados na própria academia e outros quatro desenvolvidos em qualquer time da mesma federação nacional. Caso o clube não atinja esses números, as vagas não podem ser repostas por contratações externas; a lista simplesmente encolhe.
Recém-promovido à Serie A e classificado para a Champions depois da campanha histórica de 2025/26, o Como teve crescimento esportivo mais rápido que o de sua estrutura de base. Resultado: faltam atletas que tenham passado pelo menos três anos, entre os 15 e 21 anos, registrados no clube para se enquadrar como “club-trained”.
Raio-X do elenco: quantos formados em casa o Como possui hoje?
Jogadores formados no próprio Como (requisito mínimo: 4)
- Mattia Liberali (19 anos, meia) – 4 temporadas na base
- Riccardo Cassano (20 anos, zagueiro) – 5 temporadas
- Fabio Rispoli (18 anos, lateral) – 3 temporadas
- — vaga em aberto —
Jogadores formados na Itália (requisito mínimo: 4, máximo: 8 menos os club-trained)
- Niccolò Colombo (25 anos, goleiro) – ex-Atalanta, 6 anos registrado na FIGC antes dos 21
- — três vagas em aberto —
Hoje, portanto, o Como dispõe de apenas três atletas “club-trained” e um “association-trained”. Se mais ninguém se enquadrar até o envio das listas, o clube ficaria limitado a 17 inscritos (25 – 8 faltantes).
Contratações e uso da base: a estratégia de Fàbregas
O técnico destacou as chegadas de Kaiki Bruno (lateral esquerdo ex-Cruzeiro) e Luis Milla (volante ex-Getafe) para suprir saídas importantes, mas admitiu que “não basta contratar” quando o problema é regulatório. Por isso:
- Jovens como Liberali, Cassano e Rispoli ganharão minutos já na Copa Como para acelerar a transição ao profissional.
- O departamento de scouting busca jogadores italianos sub-21 que possam ser registrados como “association-trained” no médio prazo.
- A diretoria trabalha em parceria com a federação local para ampliar a estrutura de formação, incluindo a construção de um novo centro de treinamento até 2028.
O impacto na temporada 2026/27
Disputar Serie A + Champions + Coppa Italia com elenco de 17 jogadores pressionará o planejamento físico. Em 2025/26, o Como utilizou 24 atletas diferentes e registrou média de 7,8 ausências por lesão a cada mês, segundo dados do clube. A margem para rodar o grupo em semanas de jogos duplos será mínima.
Imagem: Cristiano Mazzi
Além disso, o coeficiente da Uefa, fundamental para o sorteio da fase de grupos, pode ser afetado: clubes que avançam com plantel mais curto tendem a registrar menor índice de vitórias fora de casa (44% → 31% nos últimos cinco torneios, segundo a própria entidade).
No curto prazo, Fàbregas precisará equilibrar minutos de jovens com a carga dos titulares experientes; no médio prazo, fortalecer a academia virou ponto chave para que o projeto do Como seja sustentável em competições continentais.
Próximos passos: a lista preliminar da Champions deve ser entregue até 02/09. Até lá, o clube tem quatro amistosos e a estreia na Serie A para testar os garotos e avaliar possíveis empréstimos de curtíssimo prazo de atletas italianos aptos a preencher as vagas restantes.
O caso do Como serve de alerta a outros projetos emergentes na Europa: sem investimento síncrono em base, o regulamento pode transformar o sonho continental em quebra-cabeça de apenas 16 peças.
Com informações de Trivela