Rio de Janeiro (21.mar.2026) – Em entrevista ao programa “Bola da Vez”, que vai ao ar neste sábado (21), o hoje vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, revelou que o clube tinha um acordo encaminhado com o português Leonardo Jardim para substituir Jorge Jesus em 2020, mas um corte repentino de orçamento, provocado pela incerteza financeira da pandemia de covid-19, obrigou o Rubro-Negro a recuar.
O corte de orçamento que mudou o plano rubro-negro
Segundo Braz, dez dias após a saída de Jorge Jesus, o Flamengo havia reservado verba suficiente para bancar o salário de seu sucessor. Dois dias antes de embarcar para Portugal, porém, o dirigente foi informado pelo diretor executivo Bruno Spindel — que por sua vez recebera ordens superiores — de que o valor disponível seria reduzido. Diante da nova realidade, o almoço previamente agendado com Jardim em Braga foi cancelado.
O cenário reflete a turbulência daquela fase inicial da pandemia: receitas de bilheteria zeradas, incerteza sobre direitos de transmissão e câmbio volátil fizeram o clube rever seus compromissos financeiros, ainda que o orçamento original tivesse sido projetado para manter Jorge Jesus.
Quem é Leonardo Jardim e por que ele era o alvo ideal?
Formado em Educação Física, o luso-venezuelano Leonardo Jardim, então livre no mercado, trazia no currículo o título francês de 2016/17 com o Monaco, além de passagens por Olympiacos (campeão grego em 2012/13) e Sporting. Seu histórico de potencializar jovens talentos — Mbappé e Bernardo Silva são os exemplos mais lembrados — combinava com o momento rubro-negro, que em 2019 havia revelado nomes como Gerson e Bruno Henrique sob o comando de Jorge Jesus.
O efeito dominó na comissão técnica pós-JJ
Com Jardim descartado, o Flamengo optou por Domenèc Torrent, auxiliar histórico de Pep Guardiola. Ao longo de 2020, o time conviveu com instabilidade: Torrent foi demitido após 26 jogos (56% de aproveitamento), Rogério Ceni assumiu e conduziu a equipe ao bicampeonato brasileiro, mas sem repetir o desempenho de 2019 (79% de aproveitamento de Jorge Jesus contra 65% de Ceni em 2020-21).
Raio-X financeiro e esportivo 2019-2020
Receita estimada em 2019: R$ 950 mi
Receita estimada em 2020: R$ 720 mi (-24%)
Folha salarial de JJ: cerca de R$ 16 mi/ano
Proposta a Jardim: valor similar ao de JJ, segundo Braz
Gols sofridos em 2019 (Série A): 44
Gols sofridos em 2020 (Série A): 48
Aproveitamento geral 2019: 79%
Aproveitamento geral 2020: 63%
Impacto atual: Jardim no comando e agenda apertada
Seis anos depois, Leonardo Jardim finalmente dirige o Flamengo e encara sequência de três partidas em 13 dias: Remo (C), Corinthians (F) e Red Bull Bragantino (F). O passado quase cruzado entre dirigente e treinador ajuda a elucidar a rápida adaptação observada desde janeiro: elenco já familiarizado com métodos de pressão alta e construção curta, características marcantes de Jardim.
Imagem: Internet
Próximos jogos
19/03 – Remo, Maracanã, 20h (Brasileirão)
22/03 – Corinthians, Neo Química Arena, 20h30 (Brasileirão)
01/04 – RB Bragantino, Nabi Abi Chedid, 17h (Brasileirão)
Conclusão prospectiva
A revelação de Marcos Braz esclarece um dos pontos mais debatidos pelos torcedores desde 2020 e mostra como as finanças impactam decisões técnicas. Agora com Jardim oficialmente à frente, o Flamengo reencontra um plano abortado pela pandemia. O desempenho nas próximas rodadas indicará se o investimento tardio na filosofia do português renderá a regularidade necessária para brigar por título nacional e, sobretudo, pela sonhada Libertadores de 2026.
Com informações de ESPN.com.br