Inglaterra 1 x 2 Argentina, 15 de julho de 2026, New York — a seleção comandada por Thomas Tuchel voltou a desperdiçar a vantagem em uma semifinal de Copa do Mundo: depois de abrir o placar aos 55 minutos com Anthony Gordon, os ingleses recuaram excessivamente, cederam domínio total de posse (apenas 12% até os acréscimos) e sofreram a virada que decretou a eliminação diante da equipe de Lionel Scaloni.
Sequência incômoda: sete eliminações seguidas para rivais do Top-10 da FIFA
Desde 1998, toda vez que enfrentou seleções ranqueadas entre as dez primeiras no mata-mata, a Inglaterra voltou para casa. A lista inclui Argentina (1998 e 2026), Brasil (2002), Portugal (2006), Alemanha (2010), Croácia (2018) e França (2022). O dado evidencia uma dificuldade crônica de competir contra a elite mundial mesmo em gerações diferentes.
O filme de 2018 se repete: vantagem inicial, bloco baixo e castigo
Apenas duas seleções neste século abriram o placar em uma semifinal de Copa e não avançaram: Inglaterra 2018 contra a Croácia e Inglaterra 2026 contra a Argentina. Em ambas, o padrão se repetiu: recuo imediato, entrega da posse e queda física na prorrogação ou minutos finais.
Raio-X da semifinal
- Posse entre 55’ e 92’: Argentina 88% x 12% Inglaterra
- Finalizações totais: Argentina 14 (6 no alvo) x 5 (2 no alvo) Inglaterra
- Toques na área rival: Kane 0, Bellingham 0
- Gols de Kane + Bellingham no torneio: 12 de 14 (86%) da seleção inglesa
- Alterações de Tuchel: entrada de terceiro zagueiro logo após 1-0; Rashford e Toney só aos 90+3’
Por que o plano de Tuchel falhou
O treinador optou por levar um elenco mais defensivo, deixando em casa peças de construção como Trent Alexander-Arnold e o versátil Adam Wharton. A ideia era proteger a retaguarda, mas, sem saída qualificada, a equipe ficou refém de ligações diretas. Quando Leandro Paredes passou a perseguir Jude Bellingham, o meio-campo inglês perdeu sua válvula de escape e tornou-se previsível.
Impacto futuro: pressão por renovação e calendário de 2030
Com a Euro 2028 no horizonte e a candidatura inglesa para sediar a Copa de 2030 em curso, a Federação se vê diante de um dilema: manter Tuchel, que igualou o resultado de Gareth Southgate, ou buscar um nome capaz de quebrar o tabu contra as seleções de elite. A decisão precisa ser rápida; as Eliminatórias europeias começam em março de 2027, e uma transição tardia poderia comprometer o ciclo.
Imagem: Zuma
Ao repetir o “apagão” de 2018, a Inglaterra expõe uma vulnerabilidade estrutural que vai além do comando técnico. Sem ajustar o modelo de posse pós-gol e diversificar as fontes ofensivas além de Kane e Bellingham, o risco de novas frustrações em fases agudas permanece elevado para 2028 e 2030.
Com informações de Trivela