Manchester, 21 de março de 2026 – A temporada 2025/26 da Premier League vive uma onda inédita de laterais longos. Segundo dados da Opta, o torneio já registra média de 3,92 cobranças desse tipo por jogo – mais que o dobro do antigo recorde. O aumento, porém, contrasta com a baixa produtividade ofensiva: apenas 24 gols nasceram das 1.179 tentativas em 301 partidas, o que significa um acerto a cada 49 cobranças.
Por que os laterais longos voltaram ao centro das atenções?
O recurso, popularizado na Inglaterra por Rory Delap (Stoke City, 2008-2011), ganhou novo fôlego após o Brentford marcar cinco gols em 2024/25 usando a arma. Com um departamento de bolas paradas liderado pelo especialista Bernardo Cueva, os Bees inspiraram rivais a copiar o modelo na atual campanha.
Além disso, a Premier League autorizou na pré-temporada que clubes instalem plataformas de corrida — pequenas áreas antiderrapantes ao lado do campo — facilitando impulsão e alcance do arremesso. O conjunto desses fatores explica o salto de volume, mas não necessariamente de eficácia.
Raio-X 2025/26: quem mais cobra e quem realmente converte
• Tentativas totais: 1.179
• Gols gerados: 24 (máxima da década; média de 1 gol/49 cobranças)
• Eficiência comparativa: escanteios geram 1 gol/20,8 cobranças
Clubes com +100 laterais longos
– Brentford: 142 tentativas | 5 gols
– Crystal Palace: 130 | 0 gol
– Leeds United: 119 | 0 gol
– Sunderland: 106 | 0 gol
Clubes com destaque de eficiência
– Manchester United: 39 tentativas | 2 gols (1/19,5)
– Chelsea: 28 tentativas | 1 gol (1/28)
Impacto no ritmo de jogo e na média de gols
O tempo que a bola permanece fora de jogo em cobranças de lateral saltou para 10 min 42 s por partida—quase dois minutos a mais que em 2024/25. Esse acréscimo ocorre em um contexto de queda na fluidez ofensiva: a liga registra média de 2,73 gols por jogo, menor desde 2009/10. Embora escanteios, revisões do VAR e gestão de posse também contribuam, o excesso de laterais longos figura entre os principais vilões do relógio parado.
O dilema tático: insistir ou repensar a estratégia?
Analistas de desempenho apontam três variáveis para explicar a baixa eficácia geral:
1. Previsibilidade defensiva: Com mais filmagem e dados, treinadores alinham marcações zonais específicas para bloquear o primeiro toque após a cobrança.
2. Perfil dos cobradores: Nem todos os laterais ou zagueiros possuem alcance semelhante ao de Delap ou Mikkel Damsgaard (Brentford), reduzindo a distância da bola e facilitando o corte.
3. Custo de oportunidade: Quando a tentativa falha, o time arremessador perde estrutura defensiva, ficando vulnerável a transições — algo que Tottenham e Leeds já sentiram em gols sofridos nesta temporada.
Imagem: Internet
O que esperar até o fim da temporada 2025/26?
Faltando nove rodadas, a tendência é de leve retração no volume de arremessos longos entre os clubes que não colhem resultado, caso de Tottenham (0 gol em 74 tentativas). Já equipes como Brentford e Manchester United, que apresentam taxa acima da média, devem manter a prática, possivelmente refinando rotas de bloqueio e movimentação no rebote.
No curto prazo, a liga discute ajustes de regulamentação — entre eles, limitar o tempo para reposição lateral em 15 segundos, seguindo o modelo da MLS. Se aprovado, o novo protocolo poderá reduzir as paralisações e forçar uma escolha: acelerar a cobrança ou perder a vantagem do lançamento distante.
Independentemente da decisão, o uso intensivo dos laterais longos em 2025/26 coloca luz sobre a eterna busca por margens competitivas na elite inglesa. A próxima janela de transferências pode até valorizar jogadores com arremesso acima de 35 metros, mas a estatística mostra: transformar quantidade em qualidade continua sendo o maior desafio dessa bola parada.
Com informações de Trivela