Suzuka (Japão), 28/03/2026 – Charles Leclerc, da Ferrari, voltou a atacar via rádio o novo regulamento técnico da Fórmula 1 após o treino classificatório para o GP do Japão, realizado na madrugada deste sábado. Incomodado com a perda de potência elétrica nas retas, o monegasco definiu as regras de 2026 como “uma piada” depois de assegurar apenas o quarto lugar no grid, 0s527 atrás da pole de Kimi Antonelli (Mercedes).
Por que o piloto reclama: a nova equação energia combustão x elétrica
O pacote 2026 elevou a participação elétrica para até 350 kW, aproximadamente 50% da potência total, reduzindo o motor a combustão para 1.6 L com combustível 100% sustentável. O resultado é uma volta de qualificação que exige gestão milimétrica da bateria. Se o piloto acelera demais no primeiro setor, o sistema entra em “clipping” — corta a entrega de energia – antes da reta final, anulando o ganho feito nas curvas. Foi esse fenômeno que levou Leclerc a reclamar: “Vou rápido nas curvas, acelero mais cedo e perco tudo nas retas”.
Raio-X do grid em Suzuka
Top 6 na classificação:
- 1º – Kimi Antonelli (Mercedes) – 1:25.331
- 2º – George Russell (Mercedes) – +0s211
- 3º – Oscar Piastri (McLaren) – +0s487
- 4º – Charles Leclerc (Ferrari) – +0s527
- 5º – Lando Norris (McLaren) – +0s603
- 6º – Lewis Hamilton (Ferrari) – +0s742
Embora a Ferrari apareça como segunda força, a diferença de meio segundo para a Mercedes permaneceu constante nas três primeiras etapas de 2026.
Onde a Ferrari perde para a Mercedes
Análises de telemetria divulgadas no paddock indicam que o modelo SF-26 é 20 km/h mais lento no fim da reta de Suzuka quando o clipping ocorre. A Mercedes, por sua vez, utiliza um mapeamento de motor que entrega potência elétrica de forma progressiva, evitando o corte mesmo após um primeiro setor agressivo. Esse gerenciamento eletrônico, aliado a um chassi que gera menos arrasto, explica o ganho de velocidade e o domínio de Antonelli.
Impacto para a corrida e para o campeonato
Leclerc acredita que uma boa largada pode colocá-lo “sob pressão” da Mercedes, mas a tendência observada nas duas primeiras corridas – quando a equipe alemã abriu mais de 15 s após a volta 25 – indica vantagem de ritmo consistente. Caso o cenário se repita, a Ferrari deve priorizar estratégia de undercut ou extensões de stint para tentar compensar a perda em potência elétrica.
Imagem: Internet
No campeonato de construtores, a Mercedes já soma 86 pontos, contra 58 da Ferrari. Qualquer avanço no Japão pode ser decisivo antes da sequência de circuitos de baixa velocidade (Mônaco e Montreal) onde o clipping tende a ser menos prejudicial.
Próximos capítulos
A largada do GP do Japão está marcada para 2h (de Brasília) deste domingo. Caso a Federação Internacional confirme ajustes no gerenciamento de bateria ainda neste semestre, a janela para Ferrari e demais equipes se aproximarem da Mercedes será o bloco europeu de corridas de maio a julho. Até lá, a consistência de Antonelli e a frustração de Leclerc devem seguir como temas centrais do campeonato.
Com informações de ESPN.com.br