Fenway Sports Group (FSG), controladora do Liverpool desde 2010, confirmou que mantém negociações com um consórcio liderado pelo empresário Amit Bhatia para a venda de uma participação minoritária no clube. A potencial transação, revelada nesta terça-feira (21/07/2026) pelo Financial Times, pode superar 4,5 bilhões de libras — algo em torno de R$ 30 bilhões.
Por que o Liverpool busca um novo investidor?
Desde 2022 a FSG sinaliza abertura a capital externo para financiar projetos de infraestrutura e manter a competitividade esportiva. Em 2023, já havia vendido uma fatia à americana Dynasty Equity, injetando entre 82 e 164 milhões de libras para reduzir dívidas contraídas em obras como:
- Ampliação da Main Stand e da Anfield Road Stand;
- Construção do AXA Training Centre em Kirkby;
Com a receita do clube superando 700 milhões de libras na temporada 2024/25, a entrada de um novo investidor pode acelerar o ciclo de reinvestimento em elenco, estrutura e programas de dados — área em que os Reds se notabilizaram sob Jürgen Klopp.
Quem é Amit Bhatia e qual sua experiência no futebol?
O londrino de 46 anos é genro do magnata Lakshmi Mittal e ex-banqueiro do Morgan Stanley. Fundou a “maior empresa independente de materiais de construção do Reino Unido” antes de ampliar negócios para os setores imobiliário e de capital privado.
No futebol, foi diretor e coproprietário do Queens Park Rangers (QPR) por 18 temporadas. A arquibancada “Amit Bhatia Stand”, em Loftus Road, leva seu nome. Para evitar conflito de interesses, já iniciou a transferência de suas ações no QPR para o sócio Ruben Gnanalingam.
Precedentes milionários na Premier League
O mercado inglês vive sequência de transações de alto valor:
- Chelsea: vendido à BlueCo em 2022 por 2,5 bilhões de libras;
- Manchester United: Sir Jim Ratcliffe comprou 25% por 1,25 bilhão de libras em 2024;
- Liverpool: venda parcial à Dynasty Equity em 2023 (até 164 milhões de libras).
Esses movimentos indicam a valorização contínua dos ativos esportivos, impulsionada por direitos de transmissão globalizados e novas frentes de comercialização digital.
Imagem: IMAGO
Raio-X financeiro do Liverpool sob a FSG
- Aquisição em 2010: 300 milhões de libras;
- Receita 2024/25: 700+ milhões de libras (14% acima de 2023/24);
- Títulos conquistados: Champions League 2018/19 e Premier League 2019/20;
- Investimento líquido em transferências desde 2010: ~400 milhões de libras (Transfermarkt);
- Endividamento bancário relacionado a infraestrutura: estimado em 200 milhões de libras.
Possíveis efeitos no mercado de transferências
Uma injeção de capital na ordem de bilhões de libras não entra diretamente no fair play financeiro da UEFA, mas reforça o cash flow para amortizar dívidas e liberar espaço no orçamento salarial. Com o ciclo pós-Klopp em andamento, o clube pode:
- Acelerar a busca por um zagueiro canhoto, posição onde sofreu 42 gols na última Premier League;
- Investir em um meio-campista box-to-box para substituir saídas recentes de veteranos;
- Blindar jovens como Jarell Quansah e Stefan Bajčetić com renovações longas.
O que observar nos próximos meses?
Se concretizado, o acordo seguirá modelo de “capital minoritário” já testado pela FSG, mantendo o controle estratégico com John Henry, mas oferecendo musculatura financeira imediata. A due diligence e o aval da Premier League costumam levar de 6 a 12 semanas, o que projeta anúncio definitivo antes da janela de inverno europeia.
Conclusão prospectiva: A entrada de Amit Bhatia pode marcar a segunda fase de modernização econômica dos Reds, combinando estabilidade administrativa com novo poder de fogo em contratações. A forma como esse capital será alocado — entre amortização de dívidas e reforços — ditará a capacidade do Liverpool de competir com os rivais que já contam com injeções bilionárias.
Com informações de Trivela