São Paulo, 5 de julho de 2026 – Horas depois da eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega na Copa do Mundo de 2026, o ex-técnico do Cruzeiro Vanderlei Luxemburgo utilizou suas redes sociais para criticar duramente Carlo Ancelotti. O treinador pentacampeão do Brasileirão apontou o uso restrito de Neymar e a mudança de identidade da equipe como fatores determinantes para a queda.
O que motivou as críticas de Luxemburgo
Em sua publicação, Luxemburgo destacou dois pontos centrais:
- Subaproveitamento de Neymar – segundo o ex-comandante, o camisa 10 foi utilizado apenas na partida contra a Noruega, algo “inconcebível” para quem considera o atacante o jogador mais talentoso do elenco.
- Perda de identidade de jogo – Luxemburgo questionou a tentativa de reproduzir o estilo europeu, abrindo mão de drible e criatividade. “Nós não vamos ser europeus”, ressaltou, lembrando que a Noruega terminou o duelo com 65% de posse de bola.
Decisões de Ancelotti em perspectiva tática
Desde que assumiu a Seleção em 2024, Carlo Ancelotti apostou em um 4-3-3 com construção curta e posse sustentada. Contra a Noruega, porém, recuou as linhas para atrair o adversário e buscar transições. O ajuste abriu mão de um meia criativo e manteve Neymar no banco até o intervalo. O plano não funcionou: Haaland foi abastecido sete vezes em bolas longas, enquanto o Brasil completou apenas um drible decisivo em todo o segundo tempo, segundo dados da FIFA.
Raio-X da eliminação
- Posse de bola: Noruega 65% x 35% Brasil
- Finalizações: Noruega 9 (4 no alvo) x 6 (2 no alvo) Brasil
- Minutos de Neymar em campo: 45 (entrou na volta do intervalo)
- Eficiência ofensiva do Brasil na Copa 2026: 0,8 gols/jogo (4 gols em 5 partidas)
O impacto para o próximo ciclo (2030)
A repercussão das críticas chega em um momento de incerteza. A CBF sinalizou confiança em Ancelotti até o fim do contrato (dezembro de 2026), mas a pressão pública de nomes historicamente vitoriosos, como Luxemburgo, pode acelerar discussões sobre um eventual novo técnico.
No aspecto de elenco, Neymar completará 34 anos no início do ciclo para 2030. A gestão da minutagem do camisa 10, tema central das críticas, tende a ser pauta prioritária, assim como a busca por um meio-campista criativo que devolva à Seleção a capacidade de controlar o jogo por associação, não apenas por transição.
Imagem: Rafael Ribeiro
Próximos passos – A CBF convocou entrevista coletiva para esta segunda-feira (6) a fim de detalhar o planejamento do segundo semestre, que inclui Eliminatórias Sul-Americanas e a Copa América 2028. Qualquer mudança na comissão técnica ou na hierarquia de liderança em campo pode começar a ser delineada já nessa reunião.
Resta saber se a voz de Luxemburgo, respaldada pelos cinco títulos nacionais e pela Tríplice Coroa com o Cruzeiro em 2003, ecoará a ponto de alterar a rota traçada por Ancelotti.
Com informações de Diário Celeste