Quem: Matheus Nunes, meio-campista do Manchester City, nascido no Rio de Janeiro.
O que: Comentou publicamente a decisão de representar Portugal e não o Brasil no ciclo da Copa do Mundo de 2026.
Quando e onde: Em coletiva de imprensa nos Estados Unidos, durante a preparação portuguesa para a estreia no dia 17/06 contra a República Democrática do Congo.
Por quê: O jogador afirma sentir “metade português, metade brasileiro”, mas credita à formação em Portugal a oportunidade de se tornar profissional.
Formação dividida entre dois continentes
Nascido em 27 de agosto de 1998 no Rio de Janeiro, Matheus Nunes permaneceu no Brasil até os 14 anos, período em que integrou a categoria infantil do Flamengo. A mudança para Ericeira, em Portugal, alterou sua trajetória: ele passou pelo modesto Ericeirense, ganhou projeção no Estoril e explodiu no Sporting, onde foi campeão português em 2020/21. Esse histórico, segundo o próprio atleta, pesou mais do que a ligação afetiva com o Brasil quando recusou o chamado de Tite em 2021 para adotar de vez a camisa das Quinas.
O que Portugal ganha com o luso-carioca
O meio-campo português tradicionalmente alterna entre jogadores de grande capacidade técnica e perfis mais físicos. Com a aposentadoria recente de João Moutinho e a transição gradual de William Carvalho, Nunes oferece:
- Condução em velocidade — característica rara entre os volantes europeus de elite;
- Pressão pós-perda — virtude lapidada por Rúben Amorim no Sporting e potencializada por Pep Guardiola no Manchester City;
- Chegada à área — registrou seu primeiro gol por Portugal logo na estreia como titular, em outubro de 2021, nas Eliminatórias.
Raio-X estatístico do meio-campista
Temporada 2023/24 (Manchester City):
- 17 jogos na Premier League — 0 gol, 2 assistências;
- 92,3% de acerto nos passes curtos (Opta);
- Média de 7,1 ações de pressão bem-sucedida por 90 minutos;
- 3,4 carregadas progressivas por jogo, colocando-o no top-15 da liga entre meio-campistas.
Portugal desde 2021:
- 18 convocações;
- 12 jogos — 1 gol, 1 assistência;
- Participação em 64% dos minutos da recente Liga das Nações.
Impacto no Grupo K da Copa 2026
Portugal estreia contra a RD Congo e depois encara Uzbequistão (23/06) e Colômbia (27/06). Diante de adversários que tendem a recuar, a condução vertical de Nunes pode destravar defesas baixas e liberar Bruno Fernandes para zonas de criação mais avançadas. Além disso, a boa leitura de pressão do jogador do City é valiosa contra a transição rápida colombiana — ponto de atenção para a terceira rodada.
Imagem: IMAGO
Brasil x Portugal na rota do mata-mata?
Se confirmar o favoritismo no Grupo K, Portugal pode cruzar com seleções do Grupo C — onde está o Brasil — já nas oitavas. Nunes admite que uma final contra a nação onde nasceu seria especial, mas reforça que “o objetivo é vencer quem quer que apareça”. A declaração ilustra o profissionalismo do atleta e o foco português em repetir ou superar a semifinal de 2006, melhor campanha lusa em Copas.
Com um meio-campo em transição geracional, Portugal adiciona intensidade e capacidade de ruptura com Matheus Nunes. A decisão tomada em 2021, difícil do ponto de vista emocional, ganha contornos de acerto esportivo às vésperas da estreia mundialista. O desempenho do luso-carioca nas primeiras partidas indicará o quão longe essa aposta pode levar a equipa das Quinas — e manterá viva a narrativa de um duelo com a Amarelinha nas fases decisivas.
Com informações de Trivela