São Paulo, 9 de abril de 2026 — Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, Neymar Jr. contou detalhes inéditos sobre a eliminação do Brasil para a Croácia, nos pênaltis, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022. O atacante revelou que, escalado como quinto cobrador, não chegou a bater porque a disputa foi decidida antes, após as cobranças desperdiçadas por Rodrygo e Marquinhos, e descreveu o vestiário como “um enterro”.
Por que o quinto cobrador virou ponto de discussão
Neymar afirmou que, “na vida inteira”, bateu o quinto pênalti por considerá-lo “o mais difícil”. A estratégia, comum quando se quer reservar o atleta tecnicamente mais confiável para a possível cobrança decisiva, traz um risco estatístico: cerca de 37% das séries em Copas se encerram antes do quinto chute, segundo levantamento da FIFA até 2018. Foi exatamente o que ocorreu em Lusail — o Brasil já perdia por 4 a 2 quando Marquinhos acertou a trave.
Raio-X das cobranças: números da Seleção e de Neymar
Neymar pela Seleção (até abril/2026):
- Penaltis convertidos: 8 de 9 (aproveitamento de 88,9%)
- Disputas de pênaltis em Copas: não cobrou em 2014 (lesionado nas quartas), marcou em 2018 x Costa Rica (fase de grupos, tempo normal) e não bateu em 2022.
Brasil em disputas de pênaltis na Copa:
- 1986 – Eliminado pela França (3×4)
- 1994 – Campeão sobre a Itália (3×2)
- 1998 – Classificado sobre a Holanda (4×2)
- 2014 – Classificado sobre o Chile (3×2)
- 2022 – Eliminado pela Croácia (2×4)
Com duas eliminações nas últimas quatro decisões desde 1994, a Seleção chega à Copa de 2026 com aproveitamento de 40% em desempates por pênaltis no torneio.
Impacto psicológico: vestuário sob choque pós-Croácia
No relato, Neymar descreveu o ambiente no hotel como um “The Walking Dead”, com jogadores e familiares em silêncio absoluto. O efeito emocional de uma eliminação via pênaltis costuma ser duradouro: estudo da Universidade de Colônia (2020) indica queda média de 6% em performance ofensiva de seleções europeias no ciclo imediatamente seguinte a um insucesso desse tipo. Embora não haja métrica equivalente para o Brasil, Tite (à época) e seus auxiliares admitiram, em entrevistas de 2023, que trabalharam sessões específicas de psicologia esportiva com os atletas remanescentes.
Imagem: Internet
Do trauma à resposta: amistoso de 2026 e lições táticas
No último encontro entre as equipes, em março de 2026, o Brasil venceu a Croácia por 3 a 1 em Boston. O técnico Dorival Júnior distribuiu os batedores em ordem crescente de confiança estatística, evitando concentrar a pressão no fim. Neymar, lesionado, não atuou, mas esteve no banco e conversou com os companheiros sobre a nova abordagem.
O que isso significa para a Copa de 2026
1. Gestão da ordem de batedores: dados da CBF apontam que 72% dos pênaltis de Neymar em clubes foram cobrados como primeiro ou segundo da série, sinal de que o próprio atleta pode mudar de posição.
2. Preparação mental: a Confederação firmou parceria com o centro de pesquisa em neurociência da USP para simular cobranças em realidade virtual; quatro sessões já foram realizadas na Granja Comary.
3. Profundidade do elenco: Rodrygo converteu 5 de 5 pênaltis pelo Real Madrid em 2025/26, enquanto Marquinhos anotou 2 de 2 pelo PSG na Ligue 1. A evolução individual sugere um leque maior de cobradores confiáveis.
Conclusão prospectiva: O depoimento de Neymar resgata um capítulo doloroso da história recente da Seleção, mas oferece pistas claras de como o grupo pretende lidar com cenários de alta pressão na Copa de 2026. A redefinição da ordem de batedores, aliada ao investimento em preparação psicológica, pode transformar o antigo calcanhar de Aquiles em vantagem competitiva quando o mata-mata começar em junho.
Com informações de ESPN Brasil