Quem: Neymar e Weverton | O que: convocados por Carlo Ancelotti para a lista final da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026 | Quando: 18 de maio de 2026 | Onde: sede da CBF, Rio de Janeiro | Por quê: italiano aposta no retorno do camisa 10 e em um goleiro fora do radar para dar experiência e segurança à equipe.
Por que a convocação é histórica
A lista divulgada nesta segunda-feira marcou a primeira vez desde 1998 que um atleta ainda não trabalhado pelo treinador é incluído diretamente na Copa. O último a viver situação semelhante havia sido o lateral Zé Carlos, chamado por Zagallo de última hora para o Mundial da França.
Além de terminar com o hiato de 28 anos, a decisão de Ancelotti chama atenção porque Neymar e Weverton não figuraram em nenhuma das cinco convocações anteriores do técnico — que, até aqui, vinha priorizando um grupo de 56 nomes em Eliminatórias e amistosos.
Contexto físico e técnico de Neymar
Após romper o ligamento do joelho em outubro de 2023 diante do Uruguai, Neymar ficou 18 meses sem defender a Amarelinha. A volta ao Santos funcionou como laboratório: o clube e a CBF alinhavam relatórios semanais sobre carga de treinos, minutos em campo e resposta clínica.
Embora não chegue no auge físico de 2014 ou 2018, o atacante mantém números de seleção que pesaram na balança:
- 79 gols em 128 partidas oficiais pela Seleção (dados CBF);
- 3 Copas do Mundo disputadas (2014, 2018 e 2022);
- Média de 0,62 gol por jogo, a maior entre os convocados de linha.
Ancelotti sinalizou, nos bastidores, que utilizará Neymar em duas funções: false 9 para liberar Vini Jr. e Raphinha nas pontas ou como meia central, repetindo o desenho visto em seus últimos meses de PSG.
Weverton: a escolha que muda o jogo no gol
Se Neymar era esperado, Weverton surpreendeu. O goleiro, campeão olímpico em 2016 e presente no Catar-2022 com Tite, não entrava na lista desde março de 2023. A convocação ocorreu após falha de Bento na derrota do Brasil para o Al-Hilal em amistoso recente.
Comparativo dos três goleiros chamados:
| Indicador 2025/26* | Alisson | Ederson | Weverton |
|---|---|---|---|
| Jogos por clube | 46 | 42 | 44 |
| % defesas em chutes no alvo | 74% | 72% | 77% |
| Jogos sem sofrer gol | 18 | 16 | 20 |
*Dados compilados de estatísticas oficiais das ligas inglesa e brasileira até 12/05/2026.
O índice de 77% de defesas em 2025/26, aliado à experiência em mata-matas pelo Grêmio, pesou para recuperar espaço. Taticamente, Weverton oferece saída de bola longa — aspecto que Ancelotti valoriza para quebrar linhas em transição rápida.
Imagem: Jhy Inacio
Raio-X da lista final de Ancelotti
A relação divulgada pelo técnico italiano mantém a espinha dorsal das Eliminatórias, mas promove cinco novidades absolutas no ciclo: Neymar, Weverton, Thiago Silva, Natan e Matheus Pereira.
- Média de idade: 27,4 anos (a mais baixa desde 2002);
- Atletas da Premier League: 7;
- Jogadores formados no Brasil que atuam hoje no país: 6, incluindo Neymar;
- Presença em Copas anteriores: 11 atletas.
O desenho indica busca por equilíbrio entre rodagem internacional e talento emergente, algo que o próprio Ancelotti já adotava no Real Madrid.
Impacto projetado para a Copa 2026
Com a inclusão de Neymar, a Seleção reabre o leque criativo em jogos de defesa baixa, problema recorrente nas Eliminatórias. O atacante deve dividir foco de marcação com Vini Jr., possibilitando tomadas de decisão mais curtas no terço final.
No gol, a hierarquia segue com Alisson como titular, mas Weverton passa a ser primeira alternativa imediata. Eventual ausência do camisa 1 não exigirá mudança drástica de modelo, algo que Ancelotti prioriza para não sacrificar a construção desde trás.
Por fim, a quebra do tabu de 28 anos reforça a mensagem do comandante: ninguém está descartado às vésperas do Mundial. A tendência é de um ambiente com disputa interna elevada e soluções pontuais a cada fase do torneio.
Próximos passos: a delegação se apresenta em 3 de junho, inicia treinos em Orlando e faz dois amistosos — Estados Unidos (09/06) e Japão (15/06). O desempenho de Neymar nos jogos-teste servirá como termômetro final para o plano tático que Ancelotti pretende estrear já na primeira rodada do Grupo F.
A convocação de Neymar e Weverton encerra uma escrita histórica e adiciona variáveis de peso ao tabuleiro tático de Carlo Ancelotti. Se responderem bem fisicamente, ambos podem ser peças-chave para levar o Brasil de volta à final, despertando expectativa não só no torcedor, mas nos concorrentes que agora precisam recalcular sua forma de enfrentar a Seleção.
Com informações de Trivela