Johannesburgo, 11 de junho de 2026 — Às vésperas de México x África do Sul abrirem a Copa do Mundo de 2026, torcedores e imprensa locais revisitam inevitavelmente o primeiro encontro entre as duas seleções, em 2010, e, com ele, o trabalho dos brasileiros Carlos Alberto Parreira e Joel Santana. Dezesseis anos depois, a percepção sul-africana oscila entre a decepção provocada pelo tetracampeão mundial de 1994 e o tom de meme atribuído ao treinador carioca.
Dois ciclos, uma decepção: os números de Parreira nos Bafana Bafana
Parreira comandou a seleção em duas passagens (2007–2008 e 2009–2010).
- Primeira etapa: 17 partidas — 7 vitórias, 4 empates, 6 derrotas.
- Retorno para o Mundial: 15 partidas — 7 vitórias, 7 empates, 1 derrota.
Apesar do aproveitamento global de 49,1%, o Brasil de 1994 não se repetiu em solo africano. A eliminação na fase de grupos da Copa de 2010 — a primeira da história para um país-sede — cristalizou a imagem de “grande decepção”, agravada por críticas ao alto salário e a escolhas de convocação.
Disciplina vs. resultado: por que o projeto não vingou?
Fontes locais reconhecem que Parreira introduziu rotinas profissionais e apoiou o DStv Diski Challenge, liga de desenvolvimento hoje consolidada. No entanto, os 5 gols sofridos e o saldo negativo de 2 tentos no Grupo A de 2010 pesam mais na memória coletiva do que qualquer contribuição estrutural.
Joel Santana: do “English, very difficult” ao folclore digital
Entre abril de 2008 e outubro de 2009, Joel dirigiu os Bafana Bafana em 27 partidas: 10 vitórias, 3 empates e 14 derrotas. A campanha até as semifinais da Copa das Confederações de 2009 — derrota de 1 × 0 para o Brasil — raramente é lembrada. O que sobreviveu foram as coletivas em inglês truncado que viralizaram antes mesmo da explosão das redes sociais. Para grande parte da torcida, Joel é “o técnico do meme”, não um estrategista.
Imagem: Internet
Raio-X: desempenho dos técnicos brasileiros (2007–2010)
J V E D % de vitórias
Carlos A. Parreira 32 14 11 7 43,7
Joel Santana 27 10 3 14 37,0
Impacto para 2026: lições de um ciclo perdido
A África do Sul chega ao torneio na América do Norte com comando técnico local e foco em continuidade — exatamente o ponto criticado em 2010, quando o país trocou de treinador a um ano do Mundial. O revés histórico naquela Copa funciona hoje como alerta: consistência de processo e alinhamento tático superam nomes de currículo pesado ou narrativas folclóricas.
No curto prazo, a estreia contra o México reedita um duelo emocional; no médio, o legado de Parreira e Joel permanece como contrarreferência. Se em 2010 disciplina não foi suficiente e carisma tampouco garantiu resultado, o desafio de 2026 é unir trabalho contínuo, identidade local e execução competitiva — ingredientes que podem finalmente afastar o estigma de anfitriã eliminada precocemente.
Com informações de Trivela