Os jogadores da seleção da Noruega, liderados por Erling Haaland e Martin Ødegaard, viraram tema de uma controvérsia fora de campo após posarem para um ensaio fotográfico com temática viking, divulgado no início de junho de 2026, em Oslo, com o objetivo de arrecadar fundos para o combate ao câncer infantil.
Como nasceu a campanha e por que ela ganhou manchetes
Encomendada pela Federação Norueguesa de Futebol e clicada pelo renomado fotógrafo britânico David Yarrow, a série de imagens mostra atletas caracterizados como guerreiros vikings à beira de um fiorde. Serão colocadas à venda 250 cópias numeradas, com preços que variam de 100 mil a 250 mil coroas norueguesas. Caso todas sejam vendidas, a arrecadação pode chegar a 39 milhões de coroas (≈ R$ 21,3 mi), parte destinada a instituições que combatem o câncer infantil.
Críticas apontam simplificação histórica e risco de associação extremista
Jornalistas e pesquisadores, como Janne Stigen Drangsholt (Aftenposten) e Jane Haug Skjoldli (Universidade de Bergen), argumentam que a estética guerreira reforça uma visão “masculinizada” e ultrapassada do país, hoje mais reconhecido por diplomacia e bem-estar social. O uso de elementos rúnicos também foi questionado por lembrar simbologias apropriadas por grupos neonazistas.
O jornalista Markus Slettholm (Morgenbladet) classificou o ensaio como “chauvinista e excludente”, evocando memórias de movimentos extremistas dos anos 2010.
Defesa: resgate de herança cultural e unidade em campo
Parlamentares como Mímir Kristjánsson (Partido Vermelho) e dirigentes da federação alegam que abandonar ícones vikings equivale a ceder terreno a radicais. Para a diretora de comunicação Ragnhild Ask Connell, as fotos ressaltam “comunidade, coragem e voluntariado” — valores que o elenco pretende levar ao Mundial.
Raio-X: campanha e momento esportivo da Noruega
- Última participação em Copa: 1998 (chegada às oitavas de final).
- Tempo de jejum encerrado: 28 anos fora do torneio.
- Principais estrelas: Erling Haaland (24 gols em 25 jogos oficiais até a última Data FIFA de 2025) e Martin Ødegaard (capitão e líder em assistências nas Eliminatórias europeias, com 7 passes decisivos).
- Defesa em foco: a seleção sofreu média de 1,3 gol por partida nas Eliminatórias de 2025; a federação busca associar a imagem de “coragem viking” à solidez defensiva.
- Objetivo público da campanha: financiar pesquisa oncológica pediátrica e reforçar o posicionamento global da Noruega como sociedade solidária.
O que muda na preparação para a Copa do Mundo?
Internamente, a polêmica não alterou o cronograma técnico: a equipe segue concentrada para os amistosos de julho. No aspecto branding, entretanto, o debate força a federação a equilibrar orgulho cultural e sensibilidade global — um ponto crucial em um torneio com audiência superior a 3 bilhões de pessoas.
Imagem: R Smits
Para jogadores como Haaland, a repercussão pode fortalecer a ideia de representar algo maior que o próprio elenco, enquanto para o departamento de comunicação, cada ação promocional daqui em diante será avaliada sob a lente de inclusão e responsabilidade histórica.
Perspectiva: se a Noruega avançar além da fase de grupos, o discurso de “unidade viking” ganhará tração; caso contrário, críticos usarão o revés de campo para questionar estratégias de marketing excessivamente nostálgicas. De qualquer forma, o caso já colocou a seleção no radar global antes mesmo do apito inicial.
Com informações de Trivela