‘É ele quem faz a federação ganhar muito dinheiro’: O alerta para Portugal pós-Cristiano Ronaldo

Lisboa (20/07/2026) — A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) iniciou uma operação de bastidores para compensar a saída midiática de Cristiano Ronaldo, que anunciou, após a eliminação para a Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, que não disputará mais o torneio. Especialistas de marketing alertam para uma queda abrupta de visibilidade e receitas quando o camisa 7 encerrar a carreira internacional.

Por que a ausência de Cristiano afeta tanto a FPF?

De acordo com Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), “Cristiano Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa”. A avaliação não é retórica: o atacante reúne três vetores de exposição que nenhuma outra figura do futebol luso consegue replicar hoje:

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  • Influência digital: mais de 650 milhões de seguidores somando Instagram, Facebook e X (dados públicos de junho/2026), o maior alcance individual do planeta.
  • Portfólio de patrocínios: acordos globais com Nike, Binance, Clear, entre outros, além de parcerias nacionais históricas com MEO e Altice.
  • Investimentos multissetoriais: hotéis Pestana CR7, academias Crunch Fitness, participação no Valladolid (Espanha) e, mais recentemente, na SAF do Estrela da Amadora.
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É esse pacote que, segundo o IPAM, sustenta há duas décadas contratos comerciais que hoje representam, em média, 40% das receitas diretas de patrocínio da FPF.

Projeto “Lendas de Portugal” e a Copa de 2030

Com Portugal confirmado como co-sede do Mundial de 2030, o diretor de marketing da FPF, João Medeiros Cardoso, revelou ao The Athletic que a imagem de Ronaldo seguirá ativa em campanhas de turismo e hospitalidade. A iniciativa faz parte do projeto “Lendas de Portugal”, que reunirá personalidades nacionais para promover o país em mercados estratégicos como EUA, Ásia e Oriente Médio.

Cardoso não descarta parcerias pontuais com Lionel Messi para ações conjuntas de divulgação. A lógica é simples: ao unir os dois atletas mais influentes da era moderna, a federação maximiza o interesse global num evento que terá partidas em três continentes.

Raio-X de Cristiano Ronaldo pela Seleção

  • Estreia: 20/08/2003, vs. Cazaquistão.
  • Jogos oficiais (FIFA) até julho/2026: 212 — recorde mundial absoluto.
  • Gols: 134 — maior artilheiro da história das seleções.
  • Copas disputadas: 6 (2006, 2010, 2014, 2018, 2022, 2026).
  • Títulos com Portugal: Euro 2016 e Liga das Nações 2018/19.

Impacto financeiro imediato: o que pode mudar?

A FPF reportou receita operacional de € 101,3 milhões em 2025, sendo € 42,7 milhões provenientes de patrocínios e direitos de imagem. Projeções internas citadas pelo IPAM apontam para uma redução de 15% a 20% nesse bloco quando o atacante deixar de atuar, caso não haja novas propriedades comerciais de peso.

Entre as medidas previstas estão:

  • Segmentação de influenciadores: canais de YouTube e TikTok de jovens atletas para público sub-25.
  • Valorização da próxima geração: exposição de nomes como Gonçalo Inácio, João Neves e Francisco Conceição em campanhas regionais.
  • Eventos internacionais: amistosos nos EUA e na Arábia Saudita em 2027 para manter a presença em mercados onde CR7 atua ou atuou.

Qual o efeito esportivo para o ciclo 2026-2030?

Dentro de campo, o técnico Jorge Jesus receberá uma equipe em transição, mas sem carência de talento ofensivo. Portugal marcou 2,21 gols por jogo na última Eliminatória europeia — segundo melhor ataque, atrás apenas da França. O desafio, porém, será redistribuir a tomada de decisão em momentos críticos: nas últimas três Copas, 46% dos chutes em jogos de mata-mata partiram de Ronaldo.

Conclusão e próximos capítulos

O fim da era Cristiano Ronaldo impõe ao futebol português um ajuste duplo: redefinir o protagonismo técnico em campo e sustentar a relevância global de sua marca fora dele. A FPF já tem um roteiro de transição que passa por explorar a própria figura de CR7 em campanhas institucionais, mas o sucesso dependerá da capacidade de novos jogadores converterem estatísticas em narrativas vencedoras. Até 2030, quando Portugal receberá jogos do Mundial, o termômetro será a adesão de patrocinadores e o desempenho nas competições da UEFA.

Com informações de Trivela

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