Roma, 29 de julho de 2026 – Roberto Mancini foi apresentado oficialmente como novo treinador da seleção italiana, sucedendo Gennaro Gattuso quase três anos após ter deixado o cargo para assumir a Arábia Saudita. Em coletiva na sede da FIGC, Mancini admitiu arrependimento pela saída em 2023 e definiu como prioridade recolocar a Itália de volta a uma Copa do Mundo, objetivo que não é alcançado desde 2014.
Por que Mancini volta e o que muda no planejamento da Azzurra
A federação optou pelo retorno de Mancini depois de uma sequência de negativas de técnicos de elite – entre eles Pep Guardiola e Carlo Ancelotti – e do colapso da breve gestão de Gattuso. A escolha simboliza uma tentativa de resgatar o modelo que, sob o próprio Mancini, garantiu a conquista da Euro 2020 (disputada em 2021) e uma série invicta de 37 jogos, recorde mundial na época.
Com Claudio Ranieri recém-nomeado diretor técnico, a FIGC sinaliza uma gestão mais experiente, focada em estabilidade e captação de jovens talentos. Segundo Mancini, “os novos Bonucci e Chiellini” já estão no radar, indicando uma renovação defensiva como prioridade.
Raio-X da primeira passagem de Mancini (2018-2023)
- Jogos: 61
- Aproveitamento: 65,5% (39V – 15E – 7D)
- Gols marcados: 129 | Gols sofridos: 34
- Euro 2020: Campeã, vencendo a Inglaterra nos pênaltis
- Série invicta: 37 jogos (set/2018 – out/2021) – recorde mundial
Os números explicam a confiança da FIGC: o modelo de posse sustentada, pressão alta e circulação rápida de bola elevou a Itália de fora da Copa 2018 ao topo da Europa em apenas três anos.
Desafios imediatos: Liga das Nações 2026/27
A estreia de Mancini será em setembro, num grupo que reúne Bélgica, França e Turquia. Os dois primeiros colocados avançam ao Final Four.
Pontos-chave para a campanha:
- Sólida transição defensiva: a França é a seleção europeia que mais finaliza em contra-ataques (média de 2,4 chutes/90 min na edição passada).
- Eficiência nas bolas paradas: Bélgica e Turquia sofreram 42% de seus gols na última Nations em escanteios ou faltas laterais.
- Integração dos jovens: nomes como Alessandro Bastoni (27 anos), Giorgio Scalvini (22) e Sandro Tonali (26) devem ser testados como potenciais pilares até 2030.
Rumo ao Mundial 2030: cenário de classificação
A Itália falhou nas Eliminatórias de 2018, 2022 e, mais recentemente, 2026. O novo formato que começa a valer para 2030 prevê 12 vagas diretas na UEFA e quatro lugares via repescagem continental, ampliando a margem, mas também elevando a concorrência interna.
Para Mancini, os pontos críticos identificados nos ciclos anteriores foram:
- Baixa conversão de chances: 10,9% nas Eliminatórias 2026 (média europeia: 14,3%).
- Falta de profundidade ofensiva: nenhum atacante italiano terminou 2025/26 entre os 10 artilheiros das cinco grandes ligas.
- Disciplinar: oito cartões vermelhos somados nas três últimas campanhas eliminatórias, o dobro da média das seleções que se classificaram.
O staff de análise de desempenho, reforçado por Ranieri, mapeou ligas nacionais e competições de base em busca de atacantes sub-23 com volume de finalizações acima de 3,0/90 min, métrica considerada ideal pelo departamento de dados da FIGC.
Imagem: Vitalii Kliuiev
Análise tática: onde o time pode evoluir
Fase defensiva: Mancini retoma o bloco médio-alto 4-3-3, mas planeja testar variações de saída 3+2, com um lateral (Di Lorenzo ou Udogie) entrando para formar linha de três zagueiros na construção. A medida visa dar liberdade a laterais ofensivos e proteger contra transições.
Criação por dentro: na Euro 2021, 37% das ações ofensivas ocorreram entre as linhas. A meta agora é chegar a 45%, explorando meio-campistas de condução (Tonali, Fagioli) e meias-atacantes móveis (Raspadori, Zaniolo) para romper defesas compactas.
Pressão pós-perda: o índice PPDA da Itália caiu de 8,4 (2021) para 11,2 (2025). A comissão técnica trabalhará para retornar à média inferior a 9,0, considerada de elite no cenário europeu.
Próximos marcos para monitorar: convocação de estreia em agosto, início da Nations em 5 de setembro (Itália x Turquia, em Milão) e primeira data FIFA de 2027, onde já deve aparecer uma base com 60% de atletas abaixo de 28 anos.
O retorno de Roberto Mancini recoloca a Azzurra num caminho conhecido, mas com desafios inéditos: renovar a zaga, encontrar um “camisa 9” de nível mundial e, sobretudo, restaurar a cultura competitiva que fez da Itália campeã europeia há apenas cinco anos. Se a integração entre Mancini e Ranieri produzir um pipeline contínuo de talentos, a seleção pode chegar a 2030 não apenas classificada, mas novamente candidata a títulos – capítulo que o torcedor italiano acompanhará de perto a cada data FIFA.
Com informações de Trivela