Como plano ousado do River Plate para o Monumental seguiu caminho diferente de brasileiros

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Buenos Aires – 06/04/2026. O River Plate iniciou em 2020 e acelera neste semestre a fase final da reforma do Estadio Más Monumental, que deve saltar de 85 mil para mais de 100 mil lugares, mantendo-se no mesmo endereço em Núñez e seguindo um modelo oposto ao de vários clubes brasileiros que optaram por demolir suas antigas casas.

Por que permanecer em Núñez era inegociável

Ao contrário de Palmeiras, Grêmio ou Atlético-MG, que ergueram novas arenas fora ou sobre o terreno original, o River ouviu seus 284 mil sócios e decidiu preservar o Monumental. Estudos de engenharia realizados ainda em 2019 mostraram viabilidade estrutural para “cavar” o campo e inserir novas anilhas de arquibancada sem comprometer a fachada histórica, palco da final da Copa de 1978.

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Segundo o vice-presidente de Obras, Mariano Taratuty, a abordagem evita o custo ambiental de uma demolição total e mantém o “senso de pertencimento”, valorizado pelo torcedor argentino.

Modelo de negócios: naming rights e camarotes premium

Em 2022, o clube fechou acordo de naming rights com a rede Chango Más que injeta o equivalente a R$ 102 milhões. O contrato cobre 16% do orçamento total estimado em R$ 550 milhões. A nova configuração acrescenta 76 camarotes, 227 hospitalities e um anel comercial com 2 700 m², criando receitas recorrentes que, segundo projeções internas, podem dobrar o faturamento em dias sem jogo.

Gramado híbrido garante calendário de shows sem sacrificar o futebol

Diferente da onda de gramados 100% sintéticos no Brasil, o Monumental adota sistema híbrido (70% natural + 30% fibra) semelhante ao da Neo Química Arena. A tecnologia permite cobrir o campo para shows, reduzir o estresse do tapete e manter a performance esportiva — fundamental para um clube que, em 2025, disputou 34 partidas em casa e fechou com média de 85 018 pagantes, a maior do continente segundo o Transfermarkt.

Raio-X da reforma

  • Capacidade atual: 85 616
  • Capacidade planejada: 103 500
  • Início das obras: agosto/2020
  • Investimento total previsto: R$ 550 milhões
  • Camarotes novos: +76 (total de 214)
  • Assentos rebatíveis instalados: 83% do estádio
  • Prazo da cobertura completa: 1º trimestre/2028 (alinhado à candidatura CONMEBOL–UEFA para a Copa de 2030)

Impacto técnico e competitivo

Com receitas de matchday projetadas para saltar de US$ 1,9 mi para US$ 3 mi por partida, o River ganha margem para manter elenco forte e reduzir dependência de vendas de atletas. No campo, o ganho acústico do novo anel inferior aproxima a torcida dos jogadores, efeito já percebido desde a reabertura parcial em 2023: o time venceu 82% dos jogos como mandante no período, contra 68% na era pré-reforma (2017-2019).

O que vem a seguir

As próximas etapas contemplam a finalização da arquibancada Sívori, instalação de painéis solares capazes de suprir até 43% da demanda elétrica nos dias de jogo e a conclusão da cobertura total. Paralelamente, a AFA negocia com a FIFA a inclusão do Monumental no pacote de sedes da Copa do Mundo de 2030, o que pode acelerar incentivos fiscais e garantir prazos.

Conclusão prospectiva: Se cumprir o cronograma e romper a barreira dos 100 mil lugares até 2028, o River Plate não só terá o maior estádio das Américas como consolidará um modelo híbrido de preservação histórica e maximização de receita, pressionando rivais brasileiros a revisarem planos de retrofit em suas arenas.

Com informações de Trivela

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