Madri (ESP) — Dois dias depois de se enfrentarem na final da Carabao Cup — vitória do Manchester City por 2 a 0 sobre o Arsenal no domingo (Wembley) — Rodri e Martin Zubimendi se reapresentaram nesta segunda-feira (18) ao CT de Las Rozas, na capital espanhola, iniciando a preparação para os amistosos contra Sérvia (sexta, em Vila-real) e Egito. O reencontro reaquece a principal pauta da campeã europeia: qual dos dois será o “número 6” titular na Copa do Mundo de 2026?
Por que a vaga virou tema nacional?
Desde que assumiu em março de 2023, o técnico Luis de la Fuente administrou 3.300 minutos oficiais; em apenas 268 deles a Espanha jogou sem pelo menos um entre Rodri ou Zubimendi. A lesão ligamentar de Rodri em setembro de 2024 abriu espaço para o volante do Arsenal, que ganhou sequência e, segundo o próprio treinador, “entregou equilíbrio e chegada na área”. O resultado: o que era titularidade indiscutível de um vencedor de Bola de Ouro virou incerteza.
Encaixe tático: dupla possível ou escolha obrigatória?
De la Fuente reiterou que “eles podem atuar juntos”, mas até hoje testou a combinação por apenas três minutos — a entrada de Zubimendi aos 93’ da semifinal da Euro contra a França, em 2024. O técnico prefere o 4-3-3 com um volante posicional, um interior (8) e um armador (10). Escalar os dois implicaria num “duplo pivô” e potencialmente limitaria minutos de Pedri, Fabián Ruiz ou Fermín López.
Raio-X 2024/25: números que alimentam o debate
- Rodri (Manchester City)
— 25 jogos na Premier League
— 2.636 minutos
— 92,1% de aproveitamento nos passes (1º do elenco)
— 2,3 interceptações + desarmes por partida
— 4 gols e 3 assistências
— Invencibilidade doméstica: City não perdeu nos últimos 34 jogos em que ele foi titular - Zubimendi (Arsenal)
— 27 jogos na Premier League
— 2.389 minutos
— 90,4% de aproveitamento de passe
— 2,7 interceptações + desarmes por partida
— 5 gols e 2 assistências (melhor marca da carreira)
— Arsenal sofreu média de 0,7 gol/jogo com ele em campo (sem ele: 1,1)
Histórico recente inspira o presente
O dilema lembra 2010, quando Vicente del Bosque acomodou Xabi Alonso e Sergio Busquets — outra dupla de volantes de perfil semelhante — no time que conquistou o Mundial na África do Sul. À época, a coabitação gerou críticas regionais, mas se mostrou a base do título. De la Fuente cita o exemplo para defender que a coexistência de estilos pode fortalecer a posse e o controle territorial, marca registrada da Roja.
Impacto na disputa da Premier League
A rivalidade transborda para a Inglaterra. City e Arsenal dividem a liderança separados por apenas dois pontos. Se Rodri sustentar a invencibilidade doméstica, chega à Copa com moral. Já Zubimendi pode elevar o patamar do Arsenal caso ajude o time a superar um setor que sofreu 25 gols na temporada passada; até aqui são apenas 19.
Imagem: Internet
O que observar nos amistosos contra Sérvia e Egito?
De la Fuente promete experimentar. Caso opte por Rodri como titular contra a Sérvia, sinaliza “rodagem” para recuperar ritmo após lesão. Se for Zubimendi, confirma a ascensão do jogador dos Gunners. Um alinhamento em duplo pivô indicaria laboratório tático inédito sob o atual comando.
Próximos passos: a convocação de junho — última antes da lista final da Copa — deve consolidar a hierarquia. Enquanto isso, cada passe dado na Premier League será analisado sob a lupa, pois a disputa que começou em Wembley promete definir não só o meio-campo da Espanha, mas possivelmente o destino de dois campeonatos.
Com informações de BBC Sport