Manchester (ING), 27/03/2024 – O ex-diretor esportivo do Bayern de Munique, Matthias Sammer, afirmou que Pep Guardiola deveria “dar um passo atrás” e considerar sua saída do Manchester City após notar uma mudança de comportamento no treinador catalão.
O alerta de Sammer: leitura de gestos e “feeling”
Durante o programa “Sammer and Basile – the Hagedorn Talk”, do canal Sky Germany, Sammer explicou que seu gut feeling surgiu ao observar a linguagem corporal de Guardiola, com quem trabalhou entre 2013 e 2016 no Bayern. Segundo ele, o semblante atual do técnico indica cansaço incomum em comparação com épocas anteriores.
Guardiola, 55 anos, respondeu após a vitória sobre o Arsenal na final da Copa da Liga Inglesa (Carabao Cup) dizendo que “ainda se diverte” no comando dos Citizens. O contrato do treinador vai até junho de 2027 e, historicamente, ele honra os compromissos assinados; mesmo assim, rumores sobre a possibilidade de dirigir uma seleção nacional após o ciclo no Etihad ganham força nos bastidores.
Guardiola no City: um domínio que desafia precedentes
Desde julho de 2016, Pep transformou o Manchester City em potência dominante na Inglaterra e protagonista no cenário europeu:
- 6 títulos da Premier League (2017/18, 2018/19, 2020/21, 2021/22, 2022/23 e 2023/24*)
- 5 Carabao Cups (2018, 2019, 2020, 2021 e 2024)
- 2 FA Cups (2019 e 2023)
- 1 UEFA Champions League (2022/23)
- 1 Mundial de Clubes da FIFA (2023)
*temporada corrente em disputa até maio; o City lidera a tabela após 28 rodadas.
Raio-X dos números de Guardiola
Aproveitamento geral: 72% de vitórias em 470 jogos oficiais (338 vitórias, 62 empates, 70 derrotas).
Média de gols a favor: 2,4 por partida.
Média de gols sofridos: 0,8 por partida.
Títulos por temporada: 1,9 em média – o maior índice entre técnicos que permaneceram mais de cinco anos no futebol inglês.
Imagem: Chris Brunskill
O que mudaria com uma eventual saída
1. Modelo de jogo: O City baseia-se em posse sustentada (média de 65%) e posicionamento de “jogo de posição”. A ruptura exigiria transição tática gradual ou contratação de técnico com filosofia semelhante.
2. Gestão de elenco: Jogadores-chave como Rodri, Bernardo Silva e Haaland foram recrutados com o projeto Guardiola em mente. Mudança de comando pode impactar papéis e valor de mercado.
3. Mercado de treinadores: Poucos nomes disponíveis combinam encaixe imediato (por exemplo, Xabi Alonso e Roberto De Zerbi são citados). Competição com clubes gigantes tornaria a sucessão delicada.
4. Meta de Champions League recorrente: Após a conquista em 2023, o City mira consolidação europeia. Novo treinador herdaria pressão extra por resultados continentais.
Próximos capítulos: especulações até 2027
Apesar do contrato longo, a janela internacional de seleções pós-Copa do Mundo de 2026 coincide com o possível momento de transição desejado por Guardiola. Até lá, qualquer mudança de humor ou resultado fora do padrão vira combustível para especulações, sobretudo agora que figuras de confiança como Sammer apontam sinais de desgaste.
Conclusão prospectiva: O Manchester City seguirá pressionado a manter rendimento máximo para afastar rumores, enquanto o mercado monitora cada declaração de Guardiola. Se o “sinal de cansaço” ganhar corpo, o planejamento esportivo dos Citizens para 2025/26 precisará incluir cenários sem o técnico mais vitorioso da história do clube – um tema que deve pautar debates e manchetes nas próximas temporadas.
Com informações de Manchester Evening News