São Paulo, 11 de junho de 2026 – Após 28 anos afastado do torneio, o SBT voltou a exibir uma partida de Copa do Mundo nesta quinta-feira (11), transmitindo ao vivo, de seus estúdios em São Paulo, a vitória do México sobre a África do Sul por 2 a 0, na abertura do Mundial de 2026.
Por que a volta do SBT importa
Desde a final de 1998, quando o Brasil perdeu para a França, o maior evento do futebol era sinônimo quase exclusivo de TV Globo no Brasil. A quebra desse ciclo recoloca o SBT como player relevante na disputa por direitos esportivos e aumenta a concorrência pela audiência em anos de Copa, um dos raros momentos em que a TV aberta ainda reúne públicos massivos em tempo real.
Equipe de transmissão reforçada por ex-globais
A estratégia do SBT apostou em nomes conhecidos do público habituado à Globo:
- Narração: Tiago Leifert, ex-editor e apresentador do Globo Esporte.
- Comentários: Raphael Rezende, com passagens pelo SporTV.
- Arbitragem: Nadine Basttos, ex-Central do Apito.
- Cerimônia de abertura: Galvão Bueno, maior referência de narração do país.
O investimento em profissionais reconhecidos reduz a estranheza do público e aproxima o produto do “padrão Globo” que marcou gerações.
Raio-X técnico da transmissão
- Delay: testes em São Paulo mostraram o SBT entre 1 e 2 segundos à frente da Globo no sinal aberto, e 12 segundos antes da CazéTV no YouTube, vantagem que impacta torcedores que acompanham jogos em condomínios ou redes sociais.
- VAR: aos 36 minutos do segundo tempo, Nadine Basttos identificou imediatamente a checagem de cartão vermelho, antecipando a informação em relação aos narradores da concorrente.
- Recursos sonoros: o SBT utilizou versões editadas do hino do México nos gols, herança de um artifício popularizado pela Globo nos anos 1990.
Impacto na audiência e no mercado de direitos
A presença de dois grandes canais abertos e de um streamer popular (CazéTV) cria um ambiente de múltiplas telas e eleva a exigência por diferenciais editoriais. A leitura ágil do VAR e a manutenção de um comentarista de arbitragem em tempo real são pontos em que o SBT larga na frente, enquanto a Globo aposta na cobertura in loco, com equipe no Estádio Azteca desde horas antes do pontapé inicial.
Para o mercado, o retorno do SBT sinaliza que o ciclo de contratos exclusivos da Globo pode estar mais aberto a concorrência. Clubes e confederações tendem a se beneficiar de licitações com mais de um interessado, elevando receitas e exigindo inovações de linguagem.
Imagem: Rogerio Pallatta
Próximos passos e efeito dominó
A confirmação do “bom primeiro teste” indica que o SBT deve manter o mesmo formato nas partidas seguintes, especialmente nos jogos do Brasil, que terão Galvão Bueno na cabine. Caso o desempenho comercial e de audiência se mostre sólido, a emissora pode se credenciar a disputar outros pacotes premium, como Libertadores e Eliminatórias, reforçando uma grade de futebol ininterrupto construída desde 2020.
Com um produto tecnicamente competitivo e nomes de peso, o SBT ressuscita a memória afetiva do público e pressiona a Globo a revisar decisões editoriais, como a ausência de analista de arbitragem no ar. A concorrência direta promete beneficiar o telespectador com mais informação em tempo real e, indiretamente, estimular acordos de direitos mais robustos para o esporte brasileiro.
Com informações de Trivela