“Não temos uma seleção formada”, analisa Abel Braga, ex-técnico do Fluminense – Fluminense: Últimas notícias, vídeos, onde assistir e próximos jogos

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Rio de Janeiro, 12/04 — Em entrevista concedida à ESPN nesta sexta-feira (12), o campeão brasileiro de 2012 pelo Fluminense, Abel Braga, avaliou que a Seleção Brasileira ainda não possui um time-base definido para a próxima Copa do Mundo, cuja preparação será comandada por Carlo Ancelotti. Segundo o treinador, “temos jogadores ótimos, mas não uma seleção formada”, o que dificulta até mesmo prever a escalação titular.

O alerta de Abel Braga em detalhes

A preocupação de Abel não se restringe à qualidade individual dos atletas, mas sim ao entrosamento coletivo. O ex-técnico lembra que, em conquistas passadas, a torcida e a imprensa já sabiam de antemão qual seria o onze inicial brasileiro. Desta vez, o cenário é de incerteza — algo que pode impactar a consistência tática nas fases decisivas do torneio.

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“Temos jogadores ótimos, mas não uma seleção formada, tanto que a gente não consegue hoje acertar qual vai ser a escalação.” — Abel Braga, à ESPN

Por que falta um time-base? Principais fatores

1. Rotatividade de convocados: Desde o ciclo pós-Copa 2022, a Seleção utilizou 53 jogadores diferentes em amistosos e datas FIFA, distribuídos em sete formações táticas distintas (4-3-3, 4-2-3-1, 4-4-2 em linha, entre outras).

2. Transição de comando: A passagem interina de Ramon Menezes, seguida pelo trabalho híbrido de Fernando Diniz e a expectativa por Ancelotti, criou um ambiente de interregno técnico que atrasou a consolidação de ideias.

3. Competição interna por vagas: A geração atual oferece profundidade em praticamente todas as posições. No ataque, por exemplo, 16 atletas foram testados em 18 meses, gerando alternância entre titulares.

Raio-X tático de Carlo Ancelotti e o desafio na Seleção

Flexibilidade como marca registrada: No Real Madrid, Ancelotti alterna o 4-3-3 e o 4-4-2 com losango, adaptando-se ao perfil de seus meio-campistas. A tendência é que o italiano busque replicar essa variação com o Brasil, mas isso exige um núcleo consolidado para suportar transições de esquema.

Necessidade de um “pivô” no meio: Historicamente, equipes de Ancelotti funcionam com um volante posicional (o papel de Casemiro, por exemplo) para liberar laterais e interiores. A oscilação física do próprio Casemiro e a falta de um substituto cristalizado podem complicar a montagem inicial.

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Imagem: Mails Santana FFC

Histórico recente comprova o alerta

Nas Eliminatórias de 2023, o Brasil encerrou a janela de setembro com apenas 46% de posse efetiva média e sofreu gols em cinco das seis partidas disputadas. A instabilidade defensiva se soma à indefinição ofensiva: a Seleção marcou 1,16 gol/jogo no período, bem abaixo da média de 2,3 da era Tite (2016-2022).

Impacto futuro: o que precisa acontecer antes da Copa

Definição de um corredor direito: A convivência entre Danilo, Yan Couto e Vanderson ainda carece de hierarquização. A escolha de Ancelotti influenciará diretamente na amplitude ofensiva.
Construção de dupla de zaga fixa: Entre Éder Militão, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bremer, somente dois precisarão acumular minutos juntos com urgência para ganhar sincronia.
Articulação no último terço: Vinícius Júnior e Rodrygo tendem a ser titulares, mas a peça central para linkar meio e ataque — Paquetá, Bruno Guimarães ou até Endrick em um 4-4-2 — segue aberta.

Conclusão prospectiva: A fala de Abel Braga ecoa como um termômetro de um problema já identificado internamente na CBF: a construção de uma espinha dorsal clara. Com amistosos marcados contra Inglaterra e Espanha nas próximas datas FIFA, Ancelotti terá poucas oportunidades para transformar o elenco numeroso em um onze confiável. A forma como o treinador italiano acelerar esse processo definirá não só o rendimento nas Eliminatórias, mas também a percepção de favoritismo do Brasil rumo à Copa de 2026.

Com informações de NETFLU

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