Vini Jr. assume a 10 da Seleção, mas atuação contra a França reforça falta de protagonismo

Foxborough (EUA), 26.mar.2026 – Vinícius Júnior utilizou a lendária camisa 10 da Seleção Brasileira pela primeira vez em amistoso preparatório para a Copa do Mundo, mas a derrota por 2 × 1 para a França no Gillette Stadium evidenciou que o atacante do Real Madrid ainda não exerce o protagonismo esperado sem Neymar e Rodrygo.

Por que a camisa 10 mudou de dono

Com Neymar em recuperação de lesão ligamentar e Rodrygo fora por problema muscular, Carlo Ancelotti definiu Vinícius como o principal ponto de desequilíbrio ofensivo. O italiano manteve o 4-2-4 que vem testando desde fevereiro, deslocando Vini para o corredor direito, lado em que buscou triangulações com Gabriel Martinelli.

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Raio-X da atuação de Vini Jr. contra a França

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• 2 finalizações (0 no alvo)
• 1 grande chance desperdiçada (aos 91’)
• 18 perdas de posse
• 0 dribles que geraram finalização
• 99 minutos em campo

Os números confirmam a dificuldade em transformar volume em efetividade. Diferentemente do Real Madrid, onde recebe bolas em transição com espaço, Vini encontrou a linha de cinco defensores francesa bem postada e com coberturas constantes de Theo Hernández e Ibrahima Konaté.

Impacto coletivo: o que o setor ofensivo revela

A Seleção terminou o jogo com 0,74 xG segundo o modelo da CBF, terceiro pior índice nos últimos dez compromissos. A troca obrigatória de Raphinha por Luiz Henrique no intervalo desestruturou o lado oposto e aumentou a sobrecarga sobre Vinícius, que precisou recuar para buscar jogo e ficou longe da área na maior parte do segundo tempo.

Comparativo clube × seleção

No biênio 2024-26, Vini soma 0,71 participação direta em gol por 90 min no Real Madrid, índice que cai para 0,33 com a Amarelinha. A diferença se explica por:

  • Contexto tático: no Real, atua à esquerda no 4-3-3, com Rodrygo atacando intervalos e Bellingham atraindo zagueiros. Na Seleção, tem alternado de lado e não dispõe de um meia que pise na área com frequência.
  • Volume de posse: o Brasil de Ancelotti trabalha em média 52% de posse — 6 pontos percentuais abaixo do Real —, reduzindo situações de um contra um.

O que muda para a Copa do Mundo 2026

Se a comissão mantiver o 4-2-4, a prioridade será criar mecanismos para aproximar Vini de área rival. Um cenário possível envolve:

  • Retorno de Rodrygo centralizado, liberando Vinícius novamente para o flanco esquerdo.
  • Uso de um interior de chegada (Andrey ou João Gomes) para ocupar a meia-lua e atrair marcadores.
  • Treinos específicos de finalização sob pressão, já que Vini converteu apenas 11% das chances claras pela Seleção desde 2022.

Conclusão prospectiva: A faixa de capitão não veio, mas a 10 pesa tanto quanto. O amistoso contra a França reforça que o Brasil terá dificuldade para competir com potências europeias se Vinícius não reproduzir sua versão madridista. Os próximos testes — México e Canadá em junho — serão decisivos para ajustar o encaixe tático e medir se o atacante chega à Copa apto a liderar o ataque sem depender do retorno de Neymar.

Com informações de Trivela

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