Paris, 23 de maio de 2026 – durante um jogo-treino realizado esta semana no centro de treinamento de Poissy, o zagueiro ucraniano Ilya Zabarnyi e o goleiro russo Matvey Safonov não se cumprimentaram na fila protocolar entre os atletas do Paris Saint-Germain, gesto que viralizou nas redes sociais a poucos dias da final da UEFA Champions League, marcada para o próximo sábado (30), em Budapeste, contra o Arsenal.
Por que a ausência de cumprimento ganhou manchetes
O PSG costuma abrir as sessões de treinos fechados com um rápido “mini-amistoso” interno. Nessa rotina, a saudação entre os grupos é registrada pelas câmeras do clube, material que abastece o canal oficial e as redes sociais. Ao notar o desvio de olhar dos dois jogadores – representantes de países em conflito desde fevereiro de 2022 –, fotógrafos presentes captaram a imagem que rapidamente repercutiu em veículos franceses, britânicos e do Leste Europeu.
Contexto político: guerra Rússia-Ucrânia chega ao vestiário
Desde que deixou o Bournemouth e assinou com o PSG, em agosto de 2025, Zabarnyi já havia declarado publicamente que “não mantém relações pessoais com atletas russos enquanto durar a guerra”. A fala, dada ao canal ucraniano Football 360, reforçou a expectativa de um convívio estritamente profissional com Safonov, contratado pelos parisienses em julho de 2024 vindo do Krasnodar.
Clubes europeus têm lidado com situações semelhantes desde o início do conflito, mas a relevância midiática do PSG — e o palco de uma final de Champions — amplifica qualquer detalhe extracampo.
Gestão de grupo: a estratégia de Luis Enrique
A comissão técnica trata o episódio como “questão privada” e foca no cumprimento das rotinas táticas. Pessoas do departamento de futebol relatam que ambos treinam normalmente em exercícios coletivos, sem atritos que possam interferir na montagem da equipe. Luis Enrique, adepto de um ambiente de alto comprometimento, vem adotando escalas de trabalho que potencializam a interação profissional mas evitam exposição pública conjunta desnecessária, reduzindo o risco de novas polêmicas.
Raio-X dos protagonistas em 2025/26
Ilya Zabarnyi
– 37 partidas oficiais pelo PSG (29 na Ligue 1, 6 na Champions, 2 nas copas nacionais)
– 88 % de acerto nos passes; média de 5,4 cortes por jogo (dados LFP)
– Zero cartões vermelhos e apenas 3 amarelos, demonstrando disciplina tática
– Canhoto, 1,89 m, fundamental na saída de três implementada por Luis Enrique
Matvey Safonov
– 31 partidas em 2025/26 (27 na Ligue 1, 4 na Champions)
– 74 % de defesas efetuadas; 10 jogos sem sofrer gols (StatsPerform)
– Especialista em pênaltis: defendeu 2 das 5 cobranças enfrentadas na temporada
– Bom jogo de pés (média de 28 passes curtos por jogo), exigência chave no modelo do técnico espanhol
Imagem: Internet
Impacto na final contra o Arsenal
Do ponto de vista estritamente esportivo, a possibilidade de qualquer ruído interno desestabilizar o elenco é monitorada, mas fontes próximas ao clube indicam que o vestiário permanece “fechado pelo objetivo”. Zabarnyi deve manter a titularidade ao lado de Marquinhos, enquanto Safonov segue como primeira opção no gol após Donnarumma lesionar-se em abril. Será, portanto, inevitável a convivência direta no gramado da Puskás Aréna.
O Arsenal de Mikel Arteta prioriza a construção por dentro e a pressão alta. Para neutralizar esse plano, o PSG depende da boa comunicação entre defesa e goleiro, sobretudo nas transições defensivas. Qualquer falha de entrosamento — seja por tensão ou mera desatenção — pode custar o título inédito que o clube persegue desde 1971, ano da sua fundação.
Perspectiva – Caso o PSG conquiste a Champions, o episódio tende a ser lembrado como detalhe pitoresco de um percurso vitorioso; em caso de derrota, poderá alimentar a narrativa de ambiente fragmentado. De toda forma, a diretoria já estuda protocolos de convivência para 2026/27, uma pré-temporada que incluirá turnê na Ásia e possível reforço para a zaga, sinal de que a administração de egos e geopolitização do elenco seguirá na agenda do clube.
Com informações de Trivela