São Paulo (05/03/2026) – A juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal da Capital, aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e tornou o ex-presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, réu por apropriação indébita relacionada ao uso do cartão corporativo do clube entre 2021 e 2023.
Por que a Justiça aceitou a denúncia?
Segundo o MP-SP, Duilio realizou R$ 41.822,62 em despesas que não guardariam relação com a atividade presidencial – entre elas hotéis, salão de cabeleireiro, free shops, loja náutica e restaurantes. O órgão também requer o ressarcimento de R$ 31.366,96 a título de danos materiais ao Sport Club Corinthians Paulista.
A magistrada entendeu que há indícios suficientes para abertura da ação penal, mas indeferiu pedidos de bloqueio de bens, quebra de sigilos bancário e fiscal, por não enxergar risco concreto à investigação.
Raio-X dos gastos contestados
- Período analisado: janeiro/2021 a dezembro/2023
- Total corrigido pela inflação: R$ 41.822,62
- Principais rubricas: hospedagem, alimentação em restaurantes, serviços pessoais e compras em free shop
- Danos materiais pleiteados pelo MP: R$ 31.366,96 (valor adicional ao ressarcimento)
Governança do Corinthians em pauta
Duilio é o segundo ex-presidente alvinegro denunciado pelo mesmo tipo de irregularidade. Em outubro de 2025, Andrés Sanchez já havia se tornado réu por gastos entre 2018 e 2020. A reincidência de casos pressiona o clube a reforçar controles internos — tema debatido desde que o balanço financeiro de 2023 apontou endividamento bruto superior a R$ 1,2 bilhão.
Como fica o processo a partir de agora?
• Prazo de 10 dias para a defesa apresentar resposta escrita;
• Definição de audiências presenciais ou virtuais a critério do réu;
• Instrução com oitiva de testemunhas e avaliação de documentos;
• Sentença em primeira instância, com possibilidade de recurso em tribunais superiores.
Imagem: lavag de dinheiro
Impacto político e de reputação
Apesar de não afetar diretamente o desempenho em campo, o processo pode influenciar:
- Patrocínios: empresas tendem a cobrar transparência de governança antes de fechar novos acordos.
- Eleições internas: o estatuto prevê pleito presidencial no fim de 2026; o caso deve pautar debates sobre responsabilidade fiscal.
- Negociações futuras: credores e investidores analisam riscos reputacionais ao estabelecer linhas de crédito.
Próximos capítulos – Com a ação penal oficialmente aberta, o Corinthians acompanha de perto possíveis desdobramentos financeiros. Qualquer condenação que resulte em indenização ou bloqueio de bens pode alterar o fluxo de caixa do clube em meio às metas de redução de dívidas e reforço do elenco para a temporada 2027.
Com informações de ESPN Brasil