Tim Vickery: ‘A ver se, no futuro, o Brasileirão ainda vai seduzir tantos jogadores’

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São Paulo, 25 de abril de 2026 – O jornalista inglês Tim Vickery advertiu que, apesar de o Brasileirão ter sido a terceira liga que mais investiu na última janela — atrás apenas da Premier League e da liga saudita — o desafio de adaptação pode reduzir, no médio prazo, o fluxo de craques estrangeiros e repatriados. A análise foi feita no programa “Futebol em Contexto”, da Trivela, dois meses após os 20 clubes da Série A injetarem € 201,5 milhões (R$ 1,24 bilhão) em contratações.

Por que tanto dinheiro entrou em campo?

Além da nova política de premiação da CBF e do câmbio favorável para quem vende em euro, os clubes capitalizaram receitas de naming rights e adiantamentos de TV. O Corinthians, por exemplo, utilizou parte desses recursos para trazer Memphis Depay, enquanto Grêmio e Atlético-MG foram ofensivos na busca por jogadores experientes.

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O obstáculo invisível: calendário, viagens e pressão

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Vickery lembrou o caso de Willian, que rescindiu com o Corinthians em 2022 após forte hostilidade online, para ilustrar o quão complexo é o ambiente brasileiro. São, em média, 65 partidas anuais para um clube que chega longe em todas as competições, contra pouco mais de 50 nas grandes ligas europeias. Há ainda deslocamentos que podem superar 3.000 km entre um jogo e outro, algo inexistente em torneios continentais como a Premier League.

Raio-X do mercado 2026

  • Gasto total: € 201,5 mi (3º maior do mundo)
  • Principais compras: Memphis Depay (Corinthians), Luis Suárez (Grêmio), Nicolás de la Cruz (Flamengo)
  • Jogadores estrangeiros registrados na Série A 2025: 104 (dados CBF)
  • Endividamento acumulado dos 20 clubes: R$ 10,2 bi (último balanço BDO)

O “efeito Memphis” e a capacidade de atração

O contrato de Depay, repleto de gatilhos de produtividade, gerou dívida de R$ 49 milhões ao Corinthians (ESPN, abril/2026). Para Vickery, se a experiência do holandês repercutir negativamente na Europa, a liga brasileira pode voltar a ser vista como destino de curto prazo ou pontual. “Quero ver o que acontece quando ele contar a experiência dele para outros atletas”, disse.

Impacto futuro: sedução sustentável ou bolha?

Do ponto de vista tático, a chegada de atletas formados em ambientes de elite eleva a exigência física e técnica da Série A. Contudo, o ganho competitivo só será mantido se:

  1. Clubes equilibrarem finanças para honrar contratos complexos;
  2. A CBF prosseguir com o processo de enxugamento do calendário, previsto para 2027;
  3. As arenas continuarem a entregar receita recorrente e estável.

No curto prazo, o Brasileirão promete manter o status de mercado emergente mais agressivo. O verdadeiro teste virá entre 2027 e 2029, quando novos direitos de TV serão negociados e os atuais contratos de estrelas como Depay, Suárez e De la Cruz entrarem em fase de renovação ou encerramento.

Se a gestão financeira não acompanhar o apetite por contratações, o campeonato pode ver a porta de entrada se transformar em porta giratória, repetindo casos como o de Willian. Caso contrário, a liga consolidará uma posição única: ser ponte de alto nível entre Europa e América do Sul, algo que nem MLS nem Arábia Saudita conseguem entregar hoje.

Conclusão prospectiva: o recorde de investimentos de 2026 elevou o padrão técnico do Brasileirão, mas o “teste de estresse” para clubes e jogadores começará na maratona de viagens do segundo semestre. É nesse cenário que descobriremos se o campeonato seguirá seduzindo craques ou se o alerta de Tim Vickery, feito hoje, se tornará realidade daqui a poucos anos.

Com informações de Trivela

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