Barcelona, 9 de março de 2026 — Ivan Rakitic, ex-meia do Barcelona e atual diretor esportivo do Hajduk Split, afirmou em entrevista à SER Catalunya que o elenco blaugrana entre 2014 e 2020 tinha “qualidade, time e ambiente” para conquistar mais duas ou três Ligas dos Campeões além do título de 2014/15.
O que foi dito e por que importa
Rakitic permaneceu seis temporadas na Catalunha, somou 310 partidas e ergueu 14 troféus. Ao relembrar o período, o croata destacou que a equipe ignorou “pequenos detalhes” em momentos decisivos — fator que, segundo ele, custou potencialmente novas conquistas continentais. A declaração joga luz sobre um dos grandes “e se” da era Messi, Suárez e Neymar, trio que encantou a Europa, mas parou nas quartas de final da Champions em quatro das cinco edições seguintes.
Contexto tático: por que aquele Barça parecia imbatível
Em 2014/15, o Barcelona de Luis Enrique utilizava um 4-3-3 dinâmico, com Rakitic fazendo o equilíbrio pelo lado direito da meia-cancha. O croata liberava Dani Alves para atacar, cobria Messi quando o argentino flutuava por dentro e ainda aparecia na área — marcou, inclusive, o primeiro gol da final contra a Juventus. A estrutura unia:
- Trio MSN (Messi, Suárez, Neymar) somando 122 gols na temporada;
- Posse de bola média superior a 60% na Champions;
- Linha defensiva alta ancorada por Piqué e Mascherano.
O modelo parecia sustentável, mas foi sendo desarticulado por saídas (Neymar em 2017, Dani Alves em 2016) e pelo envelhecimento da base defensiva. A lacuna de reposição desses perfis ajudou a explicar eliminações traumáticas como Roma (2018) e Liverpool (2019).
Raio-X dos números
Barcelona na Champions pós-2015
- 2015/16 – Quartas de final (eliminado para o Atlético de Madrid);
- 2016/17 – Quartas de final (Juventus);
- 2017/18 – Quartas de final (Roma);
- 2018/19 – Semifinal (Liverpool);
- 2019/20 – Quartas de final em jogo único (Bayern 8 × 2);
- Títulos europeus desde então: 0.
Durante o mesmo intervalo, rivais diretos como Real Madrid (3) e Liverpool (1) ampliaram suas vitrines, evidenciando o “custo” dos detalhes mencionados por Rakitic.
O legado de Rakitic e sua nova função
Desde julho de 2025, já aposentado, o croata assumiu a direção esportiva do Hajduk Split. O clube é reconhecido por exportar talentos (casos recentes: Josip Brekalo e Nikola Vlašić) e Rakitic reforçou essa missão: “Veremos alguns desses jovens chegarem ao topo”, disse. O ex-meia aplica a experiência catalã para estruturar metodologias de treino, monitorar indicadores físicos e intensificar a prospecção nos Bálcãs.
Imagem: IMAGO
Reflexos na seleção croata
Questionado sobre a equipe nacional, vice-campeã mundial em 2018 e terceira colocada em 2022, Rakitic ressaltou o “amor competitivo” que compensa o tamanho populacional reduzido do país. O discurso reforça a cultura de resiliência que mantém a Croácia entre as seleções mais consistentes da última década.
O que esperar daqui para frente
As declarações de Rakitic reacendem o debate interno no Barcelona sobre a importância do ambiente de alto rendimento — especialmente agora, com um plantel em reconstrução sob jovens como Pedri, Gavi e Lamine Yamal. A diretoria vê na temporada 2026/27 a oportunidade de encerrar o jejum continental que já dura mais de uma década. Paralelamente, o sucesso de Rakitic na função executiva é observado por clubes europeus: caso o croata desenvolva novos talentos de impacto, seu nome poderá surgir em futuras listas de diretores esportivos para equipes da elite.
Em síntese, a autocrítica de Rakitic serve de alerta: talento e investimento não bastam sem gestão de detalhes competitivos. O Barça atual, ao revisitar esses erros, ganha um roteiro claro para voltar ao topo — e os próximos verões de mercado dirão se a lição foi aprendida.
Com informações de Trivela