Nice (FRA) – O zagueiro brasileiro Dante, de 42 anos, declarou no domingo (8/3) que está disposto a “estourar” novamente os joelhos se for preciso para evitar o rebaixamento do OGC Nice na temporada 2025/26 da Ligue 1. O capitão falou logo após a derrota por 4 × 0 para o Rennes, no Estádio Allianz Riviera, partida que manteve a equipe na 15.ª posição, com 24 pontos em 25 rodadas – cinco à frente do Auxerre (16.º) e sete do Nantes (17.º), zona de descenso direto.
Discurso inflamado pós-goleada: cobrança interna e recado à torcida
Dante concedeu entrevista e conversou com torcedores ainda nas arquibancadas. Sem citar nomes, criticou a falta de agressividade de parte do elenco e lembrou que o grupo “precisa ir à guerra junto” nas nove rodadas que restam. O defensor também alfinetou profissionais que deixaram o clube, caso do ex-técnico Franck Haise, do dirigente Fabrice Bocquet e dos atacantes Terem Moffi e Jeremie Boga, vendidos na última janela.
Raio-X da campanha 2025/26
- Sequência recente: 1 vitória, 5 empates e 9 derrotas nas últimas 15 partidas da liga.
- Pior momento defensivo: goleado por 4 × 0 pelo Rennes e sem vitórias na Ligue 1 há mais de um mês.
- Histórico recente do clube: 5.º colocado em 2024/25, a um ponto da Champions; presença ininterrupta na 1.ª divisão desde 2002.
- Dona da SAF: desde 2019 o inglês Sir Jim Ratcliffe – que, segundo a rádio France Bleu Azur, tenta vender o Nice há quase um ano.
Dante, liderança e limitação física
Campeão europeu pelo Bayern (2013) e titular da Seleção na Copa de 2014, Dante rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 2020. Desde então lida com dores recorrentes, mas ainda é referência técnica e moral da defesa – participou de apenas oito rodadas nesta Ligue 1. O contrato termina em maio, data que marcará sua aposentadoria.
Por que a fala do capitão é estratégica
1. Unir vestiário e arquibancada. Ao afirmar que “minha vida hoje pertence ao futebol”, Dante demonstra comprometimento total, jogando luz sobre quem eventualmente não esteja no mesmo nível de entrega.
2. Pressionar a diretoria. O zagueiro cita “culpados que foram embora e outros que ainda estão”, sinalizando problemas de gestão que extrapolam o campo.
3. Aumentar a urgência competitiva. Faltam nove partidas: qualquer ponto perdido pode colocar o clube na zona de playoff – algo que não acontece desde 1996/97, última queda à segunda divisão.
Próximos capítulos: calendário e cenários de risco
• Rodada 26: Angers × Nice – confronto direto fora de casa.
• Rodada 27: Nice × PSG – adversário que briga pelo título.
• Meta de segurança: historicamente, 40 pontos garantem permanência; o Nice precisaria de 16 em 27 possíveis (aproveitamento de 59%).
Imagem: IMAGO
Impacto projetado: caso a reação não aconteça nos próximos três jogos, a equipe pode terminar março dentro da zona de repescagem, aumentando a pressão sobre o presidente Jean-Pierre Rivère e acelerando a possível venda do clube por Ratcliffe. Já uma vitória imediata contra o Angers pode restabelecer a confiança e permitir a Claude Puel focar em ajustes táticos, principalmente na transição defensiva – setor que perdeu consistência após as saídas de Boga e Moffi.
Com Dante disposto a levar o próprio corpo ao limite, o Nice ganha um símbolo para a reta final. Resta saber se a mensagem ecoará entre companheiros e diretoria, determinando se a temporada terminará em recuperação heroica ou em um inédito rebaixamento na era Ratcliffe.
Com informações de Trivela