Londres, 10/03/2026 – O técnico Igor Tudor retirou o goleiro Antonín Kinsky após apenas 15 minutos na derrota do Tottenham por 5 a 2 para o Atlético de Madrid, na ida das oitavas de final da Champions League, admitiu o erro na coletiva pós-jogo e, apesar da mea-culpa, intensificou a pressão sobre um elenco que já soma seis derrotas consecutivas.
Decisão raríssima que vira case de gestão de elenco
Tudor justificou a escolha inicial por Kinsky alegando necessidade de “preservar” o titular Guglielmo Vicario, que vinha sob forte cobrança. A troca relâmpago, porém, é um evento incomum: em 15 anos de carreira, o próprio croata declarou nunca ter recorrido a essa medida. O impacto psicológico em um goleiro de 22 anos, com apenas dois jogos na temporada (ambos pela Copa da Liga), tende a ser significativo. Especialistas da posição, como o ex-Spur Paul Robinson, ressaltam que a função exige resiliência emocional rara e que a exposição pública pode comprometer o futuro do atleta no clube.
Sequência negativa amplia a crise dos Spurs
O Tottenham atravessa a pior série de derrotas de seus 143 anos: seis tropeços seguidos, quatro deles já sob o comando de Tudor. Além de praticamente precisar de uma remontada improvável no jogo de volta da Champions, a equipe ocupa o 16.º lugar da Premier League, com 29 pontos, apenas um acima da zona de rebaixamento a nove rodadas do fim. O contexto competitivo ajuda a explicar a tentativa de chacoalhar a equipe, mas também evidencia o risco de decisões apressadas.
Raio-X do gol do Tottenham em 2025/26
- Guglielmo Vicario – 31 jogos oficiais na temporada; média de 1,5 gol sofrido por partida; 8 jogos sem ser vazado.
- Antonín Kinsky – 3 jogos oficiais (2 pela Copa da Liga, 1 pela Champions); média de 3,0 gols sofridos; 0 jogos sem sofrer gol.
- Contexto de mercado – Kinsky chegou em janeiro de 2025, vindo do Slavia Praga, por cerca de €6 milhões; contrato até 2029.
A estatística mostra que, embora Vicario viva fase instável, ainda entrega índices regulares para o padrão da equipe. Kinsky, sem minutagem e ritmo, foi lançado em cenário de altíssima pressão competitiva.
Impacto tático: da construção curta ao jogo direto
Tudor tentou manter a saída curta, característica chave do seu modelo, mesmo diante da pressão alta famosa do Atlético de Diego Simeone. As duas falhas de Kinsky ocorreram justamente nessa fase, quando o goleiro errou passes para a “zona 14” e ofereceu a bola aos atacantes colchoneros. Com Vicario, o time recorreu a ligações diretas, reduzindo o risco mas também a capacidade de controlar a posse – decisão que explica a estatística de apenas 39 % de posse geral na partida.
Imagem: IMAGO
O que esperar: jogo de volta e reta final de Premier League
Para reverter um 5 a 2, o Tottenham precisará vencer por quatro gols de diferença ou por três para forçar a prorrogação. Historicamente, apenas 4 % dos clubes ingleses conseguiram tal proeza na Champions a partir de um revés de três gols fora de casa. Já no campeonato nacional, o foco vira a permanência: confrontos diretos contra Nottingham Forest (31.ª rodada) e West Ham (34.ª) podem definir a temporada. É plausível que Vicario reassuma a meta de forma definitiva, enquanto Kinsky terá de reconstruir a confiança nos treinos ou em compromissos de menor peso.
No curto prazo, a gestão emocional do elenco – especialmente dos jovens – será tão determinante quanto ajustes táticos. Se Tudor não estancar a sangria, o Tottenham corre risco real de voltar suas atenções exclusivamente à luta contra o Z3 nas próximas semanas.
Com informações de Trivela