Belo Horizonte (19/03/2026) – O Cruzeiro alcançou um recorde indesejado no Campeonato Brasileiro: após a derrota para o Athletico-PR, na Arena da Baixada, o clube mineiro completou sete rodadas sem vencer, somando apenas três pontos e ocupando a lanterna da Série A.
Por que o empate ou derrota virou rotina?
Até aqui, a Raposa coleciona três empates e quatro derrotas. Esse desempenho replica o de Paysandu (2004), Avaí (2011) e Coritiba (2023), equipes que também chegaram à 7ª rodada sem triunfos e terminaram rebaixadas. O dado amplia a urgência por reação: 100% dos times que começaram desta forma caíram desde o início da era dos pontos corridos.
Raio-X da campanha celeste
- Pontos conquistados: 3 de 21 possíveis (14,3% de aproveitamento)
- Saldo de gols: -8 (pior entre os quatro últimos colocados)
- Posição atual: 20º lugar
- Times ainda sem vitória: Cruzeiro e Remo
Na parte de baixo da tabela aparecem Botafogo (18º, 3 pts) e Internacional (17º, 5 pts). Santos, Mirassol e Chapecoense, primeiras equipes fora do Z-4, têm 6 pontos cada.
O que Arthur Jorge herda
A diretoria demitiu Tite e acertou a contratação do português Arthur Jorge, técnico responsável pelo Botafogo campeão brasileiro e da Libertadores em 2024. No Cruzeiro, ele encontra:
- Elenco montado para 2026 com predominância de atletas formados na base e reforços pontuais de mercado sul-americano;
- Setor defensivo vulnerável – o saldo negativo é o reflexo de uma média superior a um gol sofrido por partida;
- Baixa produção ofensiva, que explica os três empates até agora.
Desafios táticos imediatos
1. Compactação defensiva: sob Tite, o time alternou a linha de quatro e cinco defensores, mas não encontrou estabilidade;
2. Transição rápida: Arthur Jorge prioriza saída curta apoiada em volantes com passe vertical, algo que o elenco atual carece;
3. Bolas paradas: das quatro derrotas, duas vieram após falhas em jogadas aéreas.
Imagem: Igor Barrankievicz e Du Caneppele
Próximos jogos e projeção
A Raposa encara, em sequência, Mirassol (casa) e Santos (fora). Somados, esses rivais detêm 6 pontos cada – oportunidade direta de cortar a distância para fora do Z-4. Caso o time não vença nenhuma das duas partidas, a probabilidade de depender de combinações de resultados já na 10ª rodada aumenta consideravelmente.
Análise de impacto futuro: a chegada de Arthur Jorge pode alterar a trajetória recente, mas o clube parte de um ponto de corte historicamente desfavorável. Reverter a estatística que condenou Paysandu, Avaí e Coritiba exige ganho imediato de desempenho defensivo e aproveitamento superior a 40% até o fim do primeiro turno. Os próximos 180 minutos de bola rolando tendem a mostrar se o Cruzeiro escreverá uma exceção ou seguirá a regra do rebaixamento.
Com informações de Diário Celeste