Atlanta (EUA), 29/03/2026 – Com a Copa do Mundo a menos de três meses de distância, a seleção dos Estados Unidos sofreu uma goleada por 5 a 2 para a Bélgica no Mercedes-Benz Stadium e agora tenta repetir o roteiro de 2024, quando reagiu a uma derrota pesada contra a Colômbia empatando em seguida com o Brasil. O novo teste de recuperação será já nesta terça-feira (31), em amistoso contra Portugal.
O eco de 2024: por que o Brasil virou referência
Dois anos atrás, ainda sob comando de Gregg Berhalter, os norte-americanos levaram 5 a 1 da Colômbia às vésperas da Copa América. Poucos dias depois, seguraram o Brasil em 1 a 1, resultado que devolveu confiança ao grupo. Christian Pulisic, autor do gol de falta naquele duelo, voltou a usar o exemplo como motivação coletiva: “Voltamos com uma atuação realmente forte contra o Brasil. É isso que vamos fazer agora”, disse o camisa 10 após a derrota para a Bélgica.
Déficit defensivo em números
O placar de 5 a 2 escancarou um problema reincidente:
- 4 gols sofridos apenas no segundo tempo diante da Bélgica.
- 10 gols levados nas duas últimas derrotas por larga margem (Colômbia 5 × 1 EUA em 2024 e Bélgica 5 × 2 EUA em 2026).
- Última clean sheet em amistosos aconteceu há cinco partidas, contra a Nova Zelândia em setembro de 2025.
Mauricio Pochettino reconheceu o desajuste: “Não fomos agressivos o suficiente depois de um bom primeiro tempo”, avaliou.
Raio-X tático: onde o time cede espaço
1. Transição defensiva lenta – Com Weston McKennie e Tyler Adams adiantando a marcação, há metros livres para infiltrações entre zaga e meio. A Bélgica explorou justamente esse corredor, especialmente com De Bruyne.
2. Laterais expostos – Dest e Antonee Robinson sobem simultaneamente; quando a recomposição falha, Brooks e Richards ficam em igualdade numérica, algo que a Bélgica transformou em finalizações de alta probabilidade.
3. Bola parada defensiva – Dois dos cinco gols belgas nasceram de escanteios ou faltas laterais, repetindo deficiência já vista contra a Colômbia em 2024.
Portugal no horizonte: teste para ajustes imediatos
O amistoso desta terça, em Nova Jérsei, oferece cenário semelhante ao de 2024: adversário de elite com alto volume ofensivo. Pochettino sinalizou possíveis mudanças:
Imagem: Dirk Wa
- Tripé de meio-campo com Adams mais fixo, liberando McKennie e Reyna para a construção.
- Rodagem na zaga, com a entrada de Miles Robinson para ganhar velocidade na cobertura.
- Repetição do front-three Pulisic–Balogun–Weah para consolidar entrosamento.
A meta é reencontrar equilíbrio: os EUA marcaram primeiro contra a Bélgica, mas tiveram apenas 38 % de posse após o intervalo, indicador que precisa virar contra os lusos.
Impacto no Grupo D do Mundial
Os Estados Unidos estreiam na Copa frente ao Paraguai, antes de encarar Austrália e o vencedor do playoff entre Kosovo e Turquia. Embora teoricamente acessível, o grupo castiga falhas defensivas: paraguaios têm média de 1,3 gol por jogo nas Eliminatórias da Conmebol, enquanto a Austrália é especialista em bolas longas às costas da defesa. Chegar na forma ideal é crucial para evitar cruzamento precoce com potências europeias nas oitavas.
Próximos passos: depois de Portugal, Pochettino divulgará a lista final de 26 convocados. A forma como o time reagir fisicamente e psicologicamente ao revés contra a Bélgica deve pesar nas últimas vagas, especialmente entre zagueiros e laterais.
Se conseguir repetir a organização mostrada no empate diante do Brasil em 2024, a equipe americana não apenas recupera moral com a torcida – e com o presidente Donald Trump, atento aos bastidores – como também ganha tempo precioso para corrigir sua maior dor: a proteção à área. A resposta contra Portugal, portanto, pode determinar o tom da contagem regressiva rumo ao Mundial em casa.
Com informações de Trivela