Buenos Aires (31.mar.2026) — Leandro Paredes voltou a falar publicamente sobre o desejo de ter Paulo Dybala ao seu lado no Boca Juniors. Em entrevista ao site oficial da Conmebol Libertadores, o volante destacou que “seria um sonho” disputar o torneio continental com o antigo companheiro de Roma, que encerra contrato na Itália em junho de 2026 e ainda não abriu negociação de renovação.
Por que Paredes quer Dybala agora?
Paredes retornou ao Boca em julho de 2025, firmou vínculo até 2028 e rapidamente se tornou referência técnica e simbólica no elenco. Sob sua liderança, o clube reagiu no segundo semestre de 2025 e garantiu vaga na edição 2026 da Copa Libertadores. Para sustentar o projeto de recolocar os Xeneizes entre as potências do continente — e encher a futura Bombonera de protagonismo — o camisa 5 vê em Dybala o acréscimo de criatividade que falta ao setor ofensivo.
A justificativa tática é clara: nas últimas duas temporadas da liga argentina, o Boca finalizou bastante, mas converteu apenas 10,8%* das chances criadas — índice mediano para equipes que ambicionam título continental. A chegada de um segundo atacante canhoto, capaz de flutuar entre linhas e servir o centroavante, atacaria diretamente essa ineficiência.
Raio-X: situação contratual e mercado de Dybala
- Clube atual: AS Roma
- Contrato: encerra-se em 30/jun/2026
- Status físico: em recuperação de cirurgia no menisco; previsão de liberação médica para maio
- Concorrência: Galatasaray e Fenerbahçe já consultaram o estafe do jogador
- Salário na Europa: estimado em €6 milhões líquidos/ano — montante inviável para o teto atual do Boca; seria preciso engenharia financeira e forte participação da marca Adidas, patrocinadora de ambos
*Taxa de conversão média do Boca no Triangular Final da liga 2025, de acordo com dados públicos da AFA.
Encaixe técnico na atual estrutura do Boca
O Boca tem atuado majoritariamente no 4-3-1-2, com Paredes como primeiro meio-campista construtor. A função de enganche tem sido ocupada por Equi Fernández, jogador mais vertical que articulador. Com Dybala, o desenho poderia alternar para um 4-2-3-1, em que o ex-Roma opera centralizado atrás do “9”, liberando Fernández para ser interior pela esquerda e mantendo Paredes na base da construção. Isso adicionaria:
- Maior criatividade entrelinhas — Dybala registrou média de 2,6 passes-chave por 90’ na última Serie A completa;
- Capacidade de bater faltas diretas (fundamental na Bombonera de dimensões curtas);
- Sinergia comprovada com Paredes: os dois somaram participação conjunta em oito gols da Roma na temporada 2023/24.
Obstáculos financeiros e regulatórios
Além da diferença salarial, a inscrição na Libertadores 2026 fecha em 20 de julho. Como Dybala ficaria livre a partir de 1º de julho, o prazo é tecnicamente viável, mas exige negociações aceleradas. Na Argentina, o limite de cotas para jogadores estrangeiros não é problema, pois Dybala é argentino e ocuparia vaga de formado no país.
Imagem: Internet
Impacto potencial na Libertadores
A média histórica do torneio mostra que os campeões dos últimos cinco anos marcaram, em média, 1,9 gol por jogo. O Boca terminou a fase de grupos 2025 com 1,3. Caso Dybala repita a performance de 0,55 G+A (gols + assistências) por partida que teve pela Roma em 2022/23, o clube se aproximaria estatisticamente da produção ofensiva de um candidato ao título.
No curto prazo, a decisão de Dybala passa por conciliar o sonho pessoal e familiar de vestir azul-e-ouro — legado de seu pai e de Riquelme, hoje presidente do Boca — com a manutenção da carreira na elite europeia. Com o mercado de verão se abrindo em junho e a janela sul-americana correndo em paralelo, a novela promete capítulos decisivos nas próximas oito semanas. Se Paredes vencer essa queda de braço, o Boca ganha não só um ídolo local, mas uma peça que muda o patamar competitivo do elenco para a Libertadores 2026.
Com informações de Corriere dello Sport