Manchester, Inglaterra — O Manchester City tornou-se a sexta academia mais lucrativa do futebol mundial na última década, apontou o CIES Football Observatory em relatório divulgado nesta semana. Entre 2014 e 2024, o clube arrecadou € 352,7 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão) com a venda de 35 jogadores formados no CFA (City Football Academy), superando potências como Real Madrid e Manchester United no ranking de receitas com atletas formados em casa.
Como o City chegou ao Top 6 da Europa
Desde a chegada de Pep Guardiola em 2016, o clube refinou duas frentes estratégicas: prospecção global de talentos ainda na base e integração acelerada desses jogadores ao time principal, elevando o valor de mercado antes da venda. A negociação mais rentável foi a de Cole Palmer, transferido ao Chelsea por € 42,5 milhões, o equivalente a 12 % de todo o montante obtido no período.
Raio-X das vendas do City
Principais saídas da última década
- Cole Palmer – € 42,5 mi (para Chelsea)
- Romeo Lavia – € 40 mi (para Chelsea, via Southampton)
- Liam Delap – € 23 mi (para Southampton)
- Jadon Sancho – € 20 mi (para Borussia Dortmund)
- Brahim Díaz – € 17 mi (para Real Madrid)
Receita total (2014-2024): € 352,7 mi
Receita nos últimos 5 anos: € 277,6 mi (3ª maior da Europa no período)
Comparação com rivais diretos
Embora Benfica, Ajax, Chelsea, Lyon e Sporting CP ocupem as cinco primeiras posições gerais, o City ultrapassa os dois clubes franceses (Lyon e Sporting CP) quando o recorte é apenas 2019-2024. O Real Madrid aparece logo atrás dos ingleses, enquanto o Manchester United figura apenas no 19º lugar, com € 236,6 mi. O contraste evidencia metodologias diferentes de aproveitamento da base: o United historicamente retém mais talentos para uso interno, já o City monetiza parte considerável do elenco formado.
O que esperar da próxima geração sky-blue
Entre os nomes que geram maior expectativa em Manchester estão:
Imagem: Shaun Botterill
- Nico O’Reilly – Meia de chegada, herói na final da Copa da Liga;
- Rico Lewis – Lateral/volante de 21 anos, já testado por Guardiola e pela seleção sub-21 inglesa;
- Max Alleyne – Zagueiro, ganhou sequência recente devido a lesões no setor defensivo principal.
O histórico recente sugere que o City pode ultrapassar o Chelsea no ranking de vendas de 5 anos, caso opte pela comercialização de parte desse núcleo. Lewis, por exemplo, soma apenas três partidas como titular na Premier League 2023/24 e pode buscar minutos em outro clube.
Impacto financeiro e competitivo
Os ganhos da base oferecem duas vantagens estratégicas claras: balanço sustentável para cumprir as regras de rentabilidade da Premier League e munição de mercado para contratações de elite sem comprometer o teto salarial. Ao mesmo tempo, o ciclo de formação e venda exige renovação constante da pirâmide: o clube investe pesado no City Football Group para garimpar jovens em filiais como o Girona e no mercado sul-americano — caso do brasileiro Savinho, ex-Atlético-MG.
Nos próximos anos, a combinação de pipeline global de talentos, metodologia de treino unificada e exposição na Champions League tende a manter o Manchester City nas primeiras posições do ranking de academias mais rentáveis, reforçando o modelo de negócio como diferencial competitivo dentro e fora de campo.
Com informações de Manchester Evening News