Madri (19/04/2026) – Em entrevista ao jornal espanhol Marca, Luís Figo saiu em defesa de Xabi Alonso, demitido do Real Madrid em janeiro, após menos de oito meses de trabalho. Para o ex-meia merengue, o técnico não teve tempo suficiente para consolidar sua filosofia de jogo, o que ajuda a explicar uma temporada 2025/26 que caminha para terminar sem títulos no Santiago Bernabéu.
Por que o relógio pesou contra Xabi Alonso?
Contratado em junho de 2025, logo após levar o Bayer Leverkusen a uma inédita dobradinha Bundesliga–Copa da Alemanha, Xabi assumiu o Real em um contexto de imediatismo. O calendário começou com o Mundial de Clubes, passou pela Supercopa da Espanha e seguiu para LaLiga e Champions League – tudo em sequência, sem pré-temporada tradicional. Segundo Figo, “nem tivemos tempo de analisar os meses em que ele esteve aqui”.
Historicamente, treinadores no Real dispõem, em média, de 1,4 temporada completa para mostrar serviço desde 2010. Alonso, porém, sobreviveu a apenas 31 partidas oficiais (competições nacionais, europeias e o Mundial), número bem abaixo da média recente do clube para mudanças no comando.
Raio-X da temporada 2025/26 do Real Madrid
- Supercopa da Espanha: vice-campeonato, derrota para o Barcelona.
- LaLiga: caiu da liderança para a 3ª posição na virada do ano e dificilmente alcançará o topo nas rodadas finais.
- Copa do Rei: eliminação nas oitavas de final para o Albacete (já com Álvaro Arbeloa).
- Champions League: queda nas quartas diante do Bayern de Munique.
- Mundial de Clubes: semifinalista, superado pelo Paris Saint-Germain.
O Real terminou 2024/25 com 77% de aproveitamento geral sob Carlo Ancelotti. Com Xabi, esse índice caiu para 61%, demonstrando queda na consistência competitiva.
Fatores táticos e de vestiário que limitaram o progresso
Alonso tentou migrar do 4-3-3 reativo de Ancelotti para um 3-2-2-3 de construção baixa, modelo que lhe rendeu elogios na Alemanha. A mudança cobra:
- Tempo de assimilação: saídas de três zagueiros exigem precisão nos automatismos defensivos.
- Contratações específicas: o clube investiu em dois laterais-alas, mas manteve núcleos veteranos no miolo defensivo.
- Gestão de grupo: conflitos com referências do elenco, como a explosiva reação de Vinícius Jr. ao ser substituído no clássico contra o Barcelona, desgastaram o ambiente.
Impacto da temporada no planejamento do Real Madrid
A diretoria já sinaliza uma janela de transferências agressiva para recompor setores fragilizados. A defesa – que sofreu mais gols na virada do primeiro para o segundo turno do que em toda LaLiga 2024/25 – deve ser prioridade. Além disso, jovens como Endrick, que chegará no meio de 2026, terão espaço no processo de renovação.
Imagem: Imago
No comando técnico, Álvaro Arbeloa assumiu como interino, mas ainda não convenceu. O clube estuda nomes com experiência em gestão de vestiário de estrelas, característica vista como essencial após o episódio Vinícius.
Como fica a corrida pela Champions 2025/26?
Figo apontou Bayern de Munique ou Paris Saint-Germain como favoritos ao título, afirmando que quem avançar do confronto direto chega “com moral” à final, independentemente do outro lado da chave (Atlético de Madrid ou Arsenal). O ex-merengue destacou “força e estilo de jogo” de ambas as equipes, sugerindo que a eliminação madrilenha não foi casual, mas consequência de um patamar competitivo que o Real não alcançou nesta temporada.
Conclusão prospectiva
Sem taças à vista, o Real Madrid encerra 2025/26 em modo de avaliação interna: rever método de contratação de técnicos, acelerar renovação do elenco e minimizar ruídos de vestiário. O próximo treinador – seja Arbeloa efetivado ou um nome de peso – herdará a missão de recolocar o clube no padrão de conquistas que o torcedor considera “obrigatório” e que a Europa voltou a questionar nesta temporada.
Com informações de Trivela