Quem: Carlos Alberto Parreira, então campeão mundial com o Brasil.
O quê: foi demitido do comando da Arábia Saudita.
Quando: em 18 de junho de 1998, ainda na fase de grupos da Copa da França.
Onde: na própria concentração saudita, entre a 2ª e a 3ª rodada do Grupo C.
Por quê: sequência de duas derrotas que anteciparam a eliminação saudita.
Contexto: o técnico campeão que chegou para repetir 1994
Contratado em janeiro de 1998, Parreira aterrissou em Riad com o status de campeão da última Copa. A missão era clara: igualar ou superar a campanha de 1994, quando a Arábia Saudita, surpreendentemente, alcançou as oitavas de final nos Estados Unidos. O grupo de 1998, porém, era mais turbulento: França (anfitriã), Dinamarca e África do Sul.
Sequência de resultados que culminou na demissão
• Dinamarca 1 x 0 Arábia Saudita – Gol de Møller aos 52′.
• França 4 x 0 Arábia Saudita – Gols de Henry (2), Trezeguet e Lizarazu.
Com 0 ponto, 0 gol marcado e 5 sofridos, a federação saudita optou pela troca imediata. Mohammed Al-Kharashy assumiu interinamente e empatou em 2 x 2 com a África do Sul na despedida.
Raio-X das demissões em Copas até 2026
1998 – Carlos Alberto Parreira (Arábia Saudita), Cha Bum-kun (Coreia do Sul) e Henryk Kasperczak (Tunísia).
2026 – Sabri Lamouchi (Tunísia), após derrota de 5 x 1 para a Suécia.
No total, apenas quatro treinadores foram desligados com o torneio em andamento em quase um século de Mundial.
Impacto tático: o que mudou (ou não) na Arábia Saudita
Parreira vinha utilizando o 4-4-2 em linha, prioridade para transições rápidas pelas pontas e blocos médios de marcação. Al-Kharashy manteve a mesma estrutura, mas subiu a linha defensiva e liberou o meia ofensivo Khalid Al-Temyat para flutuar entrelinhas – estratégia que gerou os dois gols diante da África do Sul. O ajuste, entretanto, foi insuficiente para reverter a eliminação já consumada.
Por que esse precedente ainda ecoa
Federacões que decidem trocar o comando durante a Copa costumam mirar um “choque psicológico”. Contudo, analisando as quatro ocasiões, nenhuma seleção conseguiu passar de fase após a demissão. O caso Parreira inaugurou um padrão de risco elevado e retorno mínimo, reiterado agora pela Tunísia em 2026.
Imagem: IMAGO
Próximos capítulos
A curto prazo, a experiência da Arábia Saudita de 1998 serve de referencial estatístico para avaliar se a Tunísia poderá desafiar a lógica em 2026. A médio prazo, a FIFA discute ampliar inscrições de membros da comissão técnica, o que pode facilitar substituições internas sem rompimentos bruscos. Resta acompanhar se novas federações romperão o tabu e conseguirão resultados imediatos após dispensar um técnico em plena Copa.
Com informações de Trivela