São Paulo, 03/05/2024 – A Liga do Futebol Brasileiro (Libra) tornou pública, na noite desta sexta-feira (3), uma nota de repúdio à decisão do Flamengo de bloquear judicialmente a distribuição de receitas de direitos de transmissão entre os 16 clubes associados. O documento, endossado por Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Guarani, Atlético-MG, Grêmio, Bahia, Vitória, Remo, Paysandu, Volta Redonda, ABC, Sampaio Corrêa e Brusque, acusa o rubro-negro de “distorcer informações” e “obstruir o fluxo de caixa” dos demais membros.
Como o impasse começou
O litígio teve início quando o Flamengo obteve, na Justiça do Rio de Janeiro, liminar que suspende repasses previstos no acordo coletivo da Libra. O clube sustenta que o critério de rateio – baseado em audiência de TV – o prejudica, propondo substituí-lo pelo número de torcedores cadastrados em sua base de dados. A alteração foi rechaçada em assembleia, onde apenas o Flamengo votou a favor.
Principais pontos da nota da Libra
A entidade enumera seis tópicos para contestar o posicionamento do Flamengo. Entre eles:
- Diálogo interrompido: segundo a Libra, a liminar foi concedida “sem urgência”, rompendo negociações internas.
- Critério de audiência já aprovado: o estatuto da liga descreve o modelo de partilha, aprovado por unanimidade, inclusive pelo próprio Flamengo.
- Cadastro ≠ audiência: números de torcedores registrados não fazem parte do método definido para medir audiência.
- Sem mínimo garantido exclusivo: a liga afirma que não existe cláusula que privilegie financeiramente o Flamengo no cenário atual, já que o Campeonato Brasileiro continua sob gestão da CBF.
Raio-X financeiro do conflito
Valor do contrato: aproximadamente R$ 6 bilhões distribuídos em cinco anos.
Clubes impactados: 15 agremiações ficam sem a parcela de receita enquanto durar a liminar.
Participação do Flamengo no bolo: estimada em cerca de 16% pelo critério de audiência; poderia subir para mais de 20% se o número de cadastros fosse adotado.
Consequências imediatas para os clubes
O bloqueio atinge principalmente equipes que dependem do fluxo mensal para quitar folha salarial e compromissos de curto prazo. Palmeiras e Atlético-MG, apesar do fôlego maior, já sinalizaram cautela em novos investimentos. Nos clubes de menor orçamento, como Sampaio Corrêa e Brusque, o repasse congelado pode comprometer exercícios de 2024.
Imagem: Staff s
Próximos passos na esfera jurídica
O processo corre em segredo de justiça a pedido do Flamengo. A Libra pressiona para que o mérito seja discutido em mediação ou arbitragem, mecanismos previstos no estatuto. Se a liminar cair, os pagamentos são liberados imediatamente; caso contrário, o tema deve avançar até instâncias superiores, prolongando a insegurança financeira.
Impacto potencial na formação de uma liga unificada
A disputa coloca em xeque o cronograma para uma liga nacional que reúna Libra e Liga Forte União (LFU). A expectativa de investidores era de unificar os blocos ainda em 2024, criando um produto único para a Série A de 2025. O embate acirrado pode afastar fundos e retardar a arrecadação projetada de até R$ 4 bilhões anuais.
Em resumo, o impasse entre Flamengo e Libra estressa o caixa de 15 clubes, ameaça o calendário de formação de uma liga única e adiciona incerteza ao modelo de divisão de receitas da elite nacional. O desenrolar judicial nas próximas semanas será decisivo para saber se os pagamentos serão retomados ou se o futebol brasileiro prolongará a crise institucional em meio às negociações de direitos para o ciclo 2025-2029.
Com informações de Nosso Palestra