Rio de Janeiro (RJ) – O coordenador técnico Marcelo Veiga revelou, em entrevista ao site oficial do Fluminense, como funciona a metodologia adotada no Centro de Treinamento de Xerém para formar atletas de alto rendimento. O dirigente explicou que a integração entre família, escola e clube – chamada internamente de “tripé de desenvolvimento” – é vista como pilar indispensável para potencializar o crescimento dos jovens tricolores.
Tripé de desenvolvimento: o que está por trás da filosofia de Xerém
De acordo com Veiga, o Fluminense realiza ações periódicas para aproximar pais e responsáveis dos profissionais de base, criando um canal permanente de feedback. Essa cultura colaborativa é complementada por:
- Psicologia: acompanhamento individual e em grupo para trabalhar aspectos emocionais e tomada de decisão.
- Fisiologia: monitoramento de carga de treino e maturação biológica para reduzir lesões.
- Nutrição: planos alimentares personalizados que se ajustam às fases de crescimento.
- Núcleo psicossocial-pedagógico: reforço escolar e orientação de carreira para ampliar repertório fora de campo.
Raio-X da produção de Xerém
Revelações recentes: André, João Pedro, Martinelli, Alexsander e John Kennedy são exemplos de atletas que passaram por esse processo e hoje integram o elenco profissional ou geraram receitas em transferências.
Indicadores de performance (últimas 5 temporadas):
- 31% do elenco principal atual é formado em casa, superior à média de 18% da Série A (CIES Football Observatory, 2024).
- R$ 560 milhões arrecadados em vendas de jogadores formados no clube desde 2019 (balanço financeiro oficial).
- 80% dos jovens que concluíram o sub-17 mantêm frequência escolar acima de 90%, segundo o departamento pedagógico.
Por que o modelo é estratégico para o Fluminense
Com orçamento inferior ao dos principais rivais do eixo Rio-São Paulo, o Tricolor aposta em gerar valor dentro de casa para equilibrar as contas e manter competitividade esportiva. Ao reforçar o setor multidisciplinar, a diretoria busca:
Imagem: Leardo Brasil
- Sustentabilidade financeira: lucros com vendas de atletas e redução de gastos com contratações externas.
- Identidade de jogo: uniformizar conceitos táticos desde o sub-11 garante transição mais suave ao time profissional.
- Vitrine internacional: participação recorrente nas categorias de base da Seleção Brasileira aumenta a exposição e atrai olheiros europeus.
Próximos passos e impacto futuro
Até 2026, o departamento de base projeta aumentar em 20% o número de atletas inscritos em competições sub-20, de olho em reposições para eventuais saídas de titulares do elenco principal. A consolidação do “tripé” também deve acelerar a preparação de perfis específicos – como laterais ofensivos e zagueiros com boa saída de bola – que se encaixam no modelo posicional adotado por Fernando Diniz.
Com a metodologia validada pelos resultados recentes, a expectativa é de que Xerém continue fornecendo não apenas talentos, mas soluções táticas e financeiras para o Fluminense nos próximos campeonatos nacionais e internacionais.
Com informações de Netflu