Londres (27/03/2024) — O Chelsea divulgou balanço referente à temporada 2024/25 com prejuízo pré-impostos de £262,4 milhões, o maior da história da Premier League, superando o antigo recorde de £179,5 milhões do Manchester City em 2011. Mesmo com receita de £490,9 milhões, a diretoria garante estar dentro das regras de rentabilidade e sustentabilidade (PSR) da liga.
Como o prejuízo chegou a £262,4 milhões?
O déficit reflete uma combinação de multas regulatórias, amortização acelerada de contratações de alto custo e receitas ainda limitadas por um estádio de apenas 40 mil lugares. Entre os valores extraordinários estão:
- £26,7 milhões em penalidades da Uefa por violar o “squad-cost ratio”.
- £10,75 milhões de sanção da Premier League referentes a pagamentos de agentes na era Abramovich.
- Baixas contábeis de atletas com alto valor de compra, como Raheem Sterling e Mykhailo Mudryk.
Gastos de mais de £1 bilhão em atletas: o peso da estratégia de contratos longos
Desde que o consórcio BlueCo, liderado por Behdad Eghbali (Clearlake Capital) e Todd Boehly, assumiu o clube em 2022, o Chelsea investiu mais de £1 bilhão em transferências. A aposta foi diluir o custo de aquisição em contratos de 6 a 8 anos, reduzindo a despesa anual de amortização, mas elevando o passivo total. Em caso de rescisões ou vendas abaixo do valor contábil, ocorre a necessidade de impairment, impactando diretamente o resultado.
Raio-X financeiro: receitas, multas e vendas
Receitas 2024/25
- Faturamento total: £490,9 milhões (2.º maior da história do clube)
- Premiações esportivas: fortalecido pelos títulos da Conference League e do Mundial de Clubes.
- Queda na cota de TV europeia: a Conference League rende cerca de 11% do que a Champions League distribui por direitos de transmissão, segundo estudo de Kieran Maguire.
Despesas e ajustes
- Multas (Uefa + Premier League): £37,45 milhões
- Custos de elenco (salários, amortizações, bônus): limitados a 80-85% da receita pelo novo regulamento que entrará em vigor.
- Equipe feminina: prejuízo de £17,1 milhões, receita de £21,3 milhões.
Novo cenário regulatório: de PSR ao limite de 85% do faturamento
A partir de 2024/25, a Premier League substituirá o PSR pelo “squad-cost ratio”, que limita despesas de elenco a 85% da receita total. Com estádio inferior a rivais diretos — Old Trafford (74 mil) e o novo Tottenham Hotspur Stadium (62 mil) — o Chelsea enfrenta menor potencial de matchday revenue. Isso pressiona o clube a:
Imagem: Internet
- Monetizar acordos comerciais globais.
- Acelerar a discussão sobre a reforma ou reconstrução de Stamford Bridge.
- Priorizar classificações constantes à Champions para inflar a cota de TV.
Impacto esportivo: vaga na Champions passa a ser questão de sobrevivência
Terminar a Premier League 2024/25 em quarto lugar garantiu retorno imediato à Champions e estimativa de £80 milhões extras em direitos de TV para o próximo exercício. O clube prevê ainda £85 milhões adicionais relativos ao título do Mundial de Clubes. Esses montantes são vitais para:
- Manter a folha salarial sem cortes agressivos.
- Cumprir o novo teto de 85% de gasto com elenco.
- Evitar a necessidade de vendas emergenciais de ativos valorizados, como Enzo Fernández ou Cole Palmer.
O que vem a seguir?
Os números oficiais serão detalhados no Companies House dentro das próximas semanas. Até lá, a Premier League seguirá auditando o Chelsea, mas analistas como Kieran Maguire consideram improvável um rompimento das regras atuais. A longo prazo, porém, a capacidade de equilibrar investimentos em elenco, modernizar Stamford Bridge e manter vaga na Champions definirá se o projeto BlueCo será sustentável ou apenas mais um experimento financeiro de alto risco.
Com informações de BBC Sport