Estados Unidos, Canadá e México receberão, em junho de 2026, a primeira Copa do Mundo disputada simultaneamente em três países e com 48 seleções. O novo formato expande o número de partidas para 104 e, segundo o cronograma oficial, reserva 13 jogos em solo mexicano. O cenário abre caminho para um elemento-chave: a provável latinização do ambiente competitivo, impulsionada não apenas pelas delegações de Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia & cia., mas também pela esperada invasão de torcedores sul-americanos aos estádios norte-americanos.
Formato inédito amplia a janela para o talento latino
Com 12 grupos de quatro equipes e início do mata-mata já nos 16 avos de final, a Copa 2026 cria 32 vagas extras em relação a 2022. A América do Sul mantém suas tradicionais 4,5 vagas diretas (podendo chegar a 7 via repescagem), mas, na prática, deve colocar mais seleções em campo por causa da ampliação do playoff intercontinental.
O aumento de participantes traz reflexos imediatos:
- Mais minutos para jogadores em ascensão, como Endrick (Brasil) ou Facundo Buonanotte (Argentina), ganharem rodagem em grande palco.
- Possibilidade de choques de estilos logo na fase de grupos, algo raro no formato anterior, gerando análises táticas mais ricas.
- Mercado de transmissão maior: estima-se (FIFA) que a audiência potencial suba de 3,5 para 5 bilhões de espectadores acumulados.
Histórico sul-americano: números que sustentam o favoritismo
A Conmebol soma 10 títulos mundiais (Brasil 5, Argentina 3, Uruguai 2) e 46,1% de aproveitamento em fases de mata-mata desde 1930. Em 2022, o continente liderou três dos cinco quesitos de desempenho ofensivo medidos pela FIFA — dribles concluídos, finalizações certas e Gols Esperados (xG) por jogo.
• Brasil – média de 2,14 gols por jogo nas Eliminatórias 2022
• Argentina – invicta há 36 partidas até abril/26
• Uruguai – 56% de posse média sob Marcelo Bielsa
• Colômbia – 83% de vitórias desde 2023 quando marca primeiro
México: ponte cultural e calor de arquibancada
Experiente em Copas (1970 e 1986), o México receberá 10 jogos da fase de grupos e outros três no mata-mata, incluindo possíveis confrontos de potências latinas. A lista já divulgada pela FIFA confirma partidas como Uzbequistão x Colômbia e Uruguai x Espanha no Estádio Azteca — palco da “Mão de Deus” e do “Gol do Século” de Diego Maradona em 1986.
Agenda confirmada em território mexicano
- México x adversários do Grupo A (3 jogos)
- Coreia do Sul x República Tcheca
- Suécia x Tunísia
- Uzbequistão x Colômbia
- Tunísia x Japão
- Colômbia x República Democrática do Congo
- África do Sul x Coreia do Sul
- Uruguai x Espanha
- 2 jogos de 16 avos de final + 1 oitavas de final
Experiência do torcedor: dados, apostas e second screen
Ferramentas de análise em tempo real (Opta, Stats Perform) projetam crescimento de 27% nas interações de “second screen” em comparação a 2022. Já o mercado de apostas, regulado em 32 dos 48 países participantes, deve ultrapassar US$ 2,1 bilhões em volume durante o torneio, segundo a consultoria H2 Gambling Capital.
Imagem: imortaisdofutebol
Impacto tático: onde o estilo sul-americano pode prevalecer
Clima diverso, gramados sintéticos em algumas arenas canadenses e extensas viagens transcontinentais favorecem seleções com:
- Adaptabilidade física – tradição de jogos em altitude e calor extremo (Ex.: Bolívia, Brasil nordestino).
- Técnica em espaços curtos – útil em gramados de dimensões reduzidas (alguns venues MLS).
- Capacidade de pressão alta – tendência crescente em times de Vinícius Jr. e Julián Álvarez na Europa.
Projeção: a presença de sete a oito seleções sul-americanas na fase de 32-avos não seria surpresa, e pelo menos duas devem chegar às semifinais — cenário coerente com o histórico recente de Brasil (semifinalista em 2014) e Argentina (campeã em 2022).
Com calendário mais longo, logística exigente e estádios dominados por torcidas latinas, a Copa do Mundo 2026 tende a potencializar ainda mais o estilo sul-americano. A combinação de talento técnico, experiência histórica e apoio massivo nas arquibancadas cria um terreno fértil para que as seleções da Conmebol protagonizem o torneio e influenciem não só os resultados em campo, mas também métricas de audiência, engajamento digital e receita de apostas. O próximo grande teste será o sorteio dos grupos, previsto para o fim de 2025, momento que definirá rotas de viagem e possíveis “grupos da morte” — etapa decisiva para validar (ou não) o favoritismo latino.
Com informações de Imortais do Futebol