Portland (EUA), 22 de abril de 2026 – Às vésperas do Jogo 3 contra o San Antonio Spurs, o técnico interino Tiago Splitter afirmou que está “apenas tentando ser profissional” ao comentar rumores de que o bilionário Tom Dundon, novo proprietário do Portland Trail Blazers, estaria entrevistando possíveis substitutos para a próxima temporada.
O que motiva a especulação sobre a saída de Splitter?
Dundon liderou a compra da franquia por cerca de R$ 21 bilhões e, segundo o jornal The Oregonian, pretende limitar os gastos com comando técnico a aproximadamente US$ 1 milhão anuais (cerca de R$ 5 milhões). Para padrões da NBA, o valor fica abaixo da média de US$ 4 a 6 milhões pagos a head coaches consolidados, o que abre espaço para negociações salariais mais rígidas ou busca por treinadores menos caros.
Relatos ainda indicam que o proprietário conversa com 15 a 20 candidatos, entre assistentes da liga e técnicos universitários. A amplitude da lista reforça a impressão de que o cargo está aberto, mesmo que Splitter esteja conduzindo a equipe em plena pós-temporada.
Raio-X da campanha sob comando de Splitter
- Temporada regular 2025-26: 42-40 (melhor desempenho de Portland desde 2020-21).
- Defesa: time liderou a NBA em pontos de segunda chance, exibindo média de 16,4 pontos por jogo*.
- Rebotes ofensivos: evolução do pivô Donovan Clingan gerou salto de 27% no aproveitamento dessas posses em relação ao ano anterior.
- Lesões: Scoot Henderson (30 jogos), Jrue Holiday (53) e Shaedon Sharpe (50) perderam grande parte da temporada.
- Série atual de playoffs: empatada em 1 a 1 contra o Spurs, segunda melhor campanha do Oeste.
*Dados de Second-Spectrum/NBA Advanced Stats.
Como a política de cortes pode afetar o rendimento nos playoffs
Dundon já reduziu cortesias de ingressos ao staff e optou por não enviar atletas two-way nas viagens – prática inédita nesta pós-temporada. Embora esses jogadores não possam atuar nos playoffs, o costume de levá-los serve para treino, estudo de vídeo e entrosamento futuro. O corte sinaliza que a atual gestão dará prioridade a eficiência financeira sobre rotinas tradicionais de vestiário.
Internamente, Splitter orientou o elenco a evitar redes sociais durante a série, buscando blindar o grupo. O ala Deni Avdija descreveu o brasileiro como “fenomenal”, ressaltando o ambiente competitivo criado mesmo sob incerteza fora de quadra.
Imagem: Internet
Impacto tático: o que Splitter já mudou em Portland
1. Pressão quadra inteira: Portland aplicou defesa estendida em 18% das posses — maior frequência da NBA, forçando adversários a 15,2 perdas de bola por jogo.
2. Rebotes ofensivos agressivos: Clingan e Avdija garantiram 12,7 rebotes ofensivos por noite, gerando volume de bolas de três em transição secundária.
3. Transição liderada por Avdija: sem armadores por longos períodos, o israelense foi autorizado a conduzir a bola, elevando suas médias para 19,8 pontos e 5,1 assistências.
O que esperar dos próximos capítulos
Com calendário apertado (Jogo 3 em 24/4 e Jogo 4 em 26/4, ambos em Portland), qualquer instabilidade institucional pode refletir em quadra. Uma eliminação precoce reforçaria o argumento por troca de técnico; já uma classificação inédita desde 2019 obrigaria Dundon a reavaliar o custo-benefício de manter um comandante que entregou resultados acima das expectativas.
Conclusão prospectiva: Enquanto o futuro administrativo segue indefinido, Splitter utiliza os playoffs como vitrine para provar valor técnico e de gestão de grupo. O desempenho contra o Spurs funcionará como termômetro direto para sua permanência e influenciará decisões de investimento do novo proprietário na próxima offseason. O desfecho da série, portanto, definirá não apenas a continuidade do brasileiro, mas a direção estratégica de Portland em 2026-27.
Com informações de ESPN Brasil