Genebra (26/04/2026) — Granit Xhaka, 33 anos, chega à Copa do Mundo expandida para 48 seleções como o principal rosto — e voz — da Suíça. Filho de kosovares-albaneses que fugiram da antiga Iugoslávia, o volante do Sunderland carrega no braço a braçadeira de capitão e, na memória, um histórico familiar que sempre transbordou das linhas do campo para os grandes palcos internacionais.
Por que Xhaka é mais que um capitão para a Suíça
A seleção suíça vive seu período mais consistente de participação em grandes torneios desde 2014. Dentro desse ciclo, Xhaka assumiu protagonismo técnico e simbólico: com ele, a equipe chegou a três oitavas de final consecutivas em Copas (2014, 2018 e 2022) e a uma histórica campanha até as quartas da Euro 2021. O volante não apenas dita o ritmo de saída de bola no 4-2-3-1 habitual do técnico Murat Yakin, como também funciona como termômetro emocional — algo decisivo em confrontos de alto teor geopolítico, como os duelos contra a Sérvia.
Raio-X: números que sustentam a liderança
- Clubes recentes: Bayer Leverkusen (2023/24), Sunderland (desde 2025)
- Temporada 2023/24 (Leverkusen): 50 jogos, 2 gols, 4 assistências; títulos da Bundesliga e da Copa da Alemanha
- Premier League 2025/26 (até abril): 31 jogos, 3 gols, 87% de acerto nos passes (dados oficiais da liga)
- Seleção suíça: 125 partidas, 15 gols — jogador de linha com mais atuações na história do país
Os índices de passe e o volume de minutos ilustram a constância física e técnica de Xhaka. Na atual Inglaterra, seu mapa de calor mostra maior liberdade para aparecer entrelinhas, algo que potencializa a posse longa que a Suíça costuma precisar contra adversários de bloco médio.
Identidade kosovar-albanesa: influência dentro e fora do gramado
O passado familiar explica por que Xhaka raramente se mantém neutro em campo. O pai, Ragip, foi preso em 1986 por defender maior autonomia para Kosovo; três anos depois, a família buscou refúgio em Basel. A história ganhou holofote nas Copas de 2018 e 2022, quando o gesto da “águia albanesa” nas comemorações contra a Sérvia colocou o volante no epicentro do debate sobre política e futebol. Para parte do elenco suíço, particularmente aqueles de origem balcânica, Xhaka personifica a ideia de que a camisa nacional pode ser um escudo de múltiplas identidades.
Onde ele encaixa taticamente no 4-2-3-1 suíço
Yakin utiliza Xhaka em dupla de volantes com Denis Zakaria ou Remo Freuler. Quando é o companheiro mais posicional, Xhaka avança para a meia-lua e gera superioridade numérica na construção — algo que explica o salto no número de passes verticais completos (média de 14 por jogo em 2025/26, segundo o Opta Analyst). Sem bola, lidera a primeira zona de pressão: a Suíça recupera a posse em 9,3 segundos em média quando ele é o primeiro a pressionar, contra 11,2 segundos quando está ausente.
Impacto para a Copa de 48 seleções
Com a expansão do torneio, a fase de grupos passa a ter três partidas contra rivais teoricamente mais heterogêneos. A experiência de Xhaka em lidar com cenários emocionais extremos — vide confrontos balcânicos — torna-se ativo estratégico para evitar deslizes contra seleções emergentes. Além disso, o volante chega fisicamente inteiro graças ao calendário menos congestionado do Sunderland, que ficou fora de competições europeias em 2025/26.
Imagem: Harry Langer
Próximos capítulos: a Suíça estreia em 14 de junho, diante de um adversário ainda a ser definido no play-off europeu. Caso avance, poderá cruzar com uma potência sul-americana nas oitavas. A maneira como Xhaka gerencia tanto a saída de bola quanto a temperatura emocional será determinante para que os suíços sonhem em ultrapassar a barreira das quartas pela primeira vez desde 1954.
Ao levar para o gramado uma combinação rara de constância tática, liderança de vestiário e carga histórica, Granit Xhaka transforma cada partida em palco de múltiplas narrativas. Se a Suíça deseja aproveitar a largura desta nova Copa, começa pela profundidade que já existe na figura do seu capitão.
Com informações de Trivela