Porto Alegre (RS), 20 de junho de 2026 – Em entrevista exclusiva à Rádio Grenal, o presidente do Grêmio, Odorico Roman, afirmou que seu principal objetivo à frente do clube é reequilibrar as finanças para, em seguida, recolocar o Tricolor na rota das grandes conquistas. O dirigente, eleito em dezembro de 2025, também citou o ex-presidente Fábio Koff como maior inspiração na condução do projeto.
O desafio central: estabilizar as contas para voltar a vencer
Desde a posse, Odorico Roman tem reforçado que o clube precisa de “entre um ano e um ano e meio” para atingir um patamar financeiro saudável. O plano passa por:
- Controle rigoroso de custos operacionais – especialmente folha salarial e despesas administrativas;
- Venda estratégica de atletas com alto valor de mercado, como ocorreu recentemente com Arthur;
- Captação de novas receitas por meio de patrocínios e comercialização de propriedades de mídia.
Na visão da direção, somente após esse ciclo de ajuste o Grêmio poderá investir em reforços de peso sem comprometer o orçamento.
Por que o aperto é necessário: radiografia das finanças tricolores
O último balanço patrimonial completo (temporada 2024) mostrou:
- Receita bruta: R$ 618 milhões
- Dívida total (passivo): R$ 886 milhões
- Folha salarial de futebol: ~R$ 18 milhões/mês
Em comparação, clubes que disputam o topo do Brasileirão trabalham, em média, com dívidas abaixo de R$ 600 milhões e orçamentos anuais superiores a R$ 800 milhões. O descompasso limita o poder de fogo gremista no mercado de transferências.
A lição de Fábio Koff: governança e ambição equilibradas
Odorico Roman relembrou sua experiência em uma das gestões de Fábio Koff — presidente que liderou as conquistas da Copa Libertadores de 1995 e 2017. Para Roman, o maior legado de Koff foi “combinar responsabilidade administrativa com objetivo esportivo claro”, fórmula que o atual mandatário pretende replicar.
Imagem: divulgação
Impacto esportivo: o que muda em campo
Com a atual necessidade de enxugar gastos, o elenco passa a ter maior presença de atletas formados na base (casos de Gabriel Mec e Viery). A comissão técnica, liderada por Luís Castro, trabalha com metas de curto prazo que incluem:
- Manter o time competitivo no Brasileirão 2026 mesmo após a saída de jogadores negociados;
- Classificar à fase de grupos da próxima Libertadores, meta que rende premiação estimada em US$ 3 milhões apenas em cota de participação;
- Desenvolver jovens atletas para valorizar futuras vendas e manter o ciclo de sustentabilidade.
Próximos passos: janela de transferências e equilíbrio orçamentário
A direção estuda novas negociações na janela de julho. Caso concretize saídas de Gabriel Mec ou Viery, a expectativa é injetar até R$ 60 milhões nos cofres, valor que cobriria 35% das obrigações de curto prazo listadas no orçamento 2026.
Conclusão prospectiva: O sucesso de Odorico Roman será medido pelo equilíbrio entre ajuste financeiro e desempenho esportivo. Se o cronograma de 18 meses for cumprido, o Grêmio pode voltar ao mercado já em 2027 com maior poder de investimento e, sobretudo, com a capacidade de transformar estabilidade contábil em títulos, tal qual pregava o lendário Fábio Koff. O próximo grande teste será a janela de meio de ano: vendas e reposições indicarão se o projeto está — ou não — no caminho certo.
Com informações de Portal do Gremista