Paris (08/04/2026) — O Liverpool saiu derrotado por 2 a 0 pelo Paris Saint-Germain no jogo de ida das quartas de final da UEFA Champions League, no Parque dos Príncipes, e a estratégia adotada por Arne Slot — com uma linha de cinco defensores desde o pontapé inicial — gerou críticas contundentes na imprensa inglesa. Para o ex-goleiro da seleção da Inglaterra e comentarista da BBC, Paul Robinson, a opção tática “passou a impressão de submissão” e retratou um time mais preocupado em evitar danos do que em competir de igual para igual.
Por que Slot trocou o 4-3-3 habitual por um 5-4-1?
O modelo dominante do Liverpool desde a era Jürgen Klopp baseou-se em um 4-3-3 agressivo, com pressão alta e laterais avançados. Diante de um PSG que conta com laterais velozes (Hakimi e Nuno Mendes) e amplitude constante pelos extremos, Slot recuou Robertson para formar um trio de zagueiros ao lado de Van Dijk e Konaté, abrindo mão de um homem no meio-campo. A ideia, em tese, era proteger os corredores, mas o efeito colateral foi imediato: perda de presença numérica na faixa central, dificuldade para sustentar a posse e transições ofensivas quase sempre iniciadas com lançamentos longos.
Robinson aponta problema de mensagem e execução
Segundo Robinson, “assim que você adota uma linha de cinco, demonstra que vai recuar e se defender”. O comentarista sustenta que a mudança foi motivada mais pelo temor ao adversário do que por convicção própria. A execução reforçou essa leitura: o Liverpool acumulou passes apressados, viu o PSG controlar o ritmo e raramente conseguiu avançar em bloco. A equipe inglesa terminou o jogo com poucos chutes a gol e praticamente não encaixou seu tradicional contra-pressing (gegenpressing), elemento que costumava ser marca registrada do time.
Raio-X da temporada dos Reds
- Premier League 2025/26: 49 pontos em 31 rodadas (14V-7E-10D), fora da zona de classificação à Champions via liga.
- Copa da Liga Inglesa: eliminação nas oitavas de final para o Crystal Palace.
- Copa da Inglaterra: queda nas quartas diante do Manchester City (0-4).
- Champions League: precisa reverter 0-2 em Anfield para seguir vivo.
Impacto tático a curto prazo
A desvantagem de dois gols obriga o Liverpool a retomar uma postura proativa no jogo de volta. Para isso, Slot terá de:
- Repor densidade no meio-campo: a volta ao 4-3-3 ou 4-2-3-1 devolve um homem ao setor, fundamental para quebrar a circulação parisiense.
- Aumentar a agressividade sem bola: reinstalar a pressão coordenada para encurtar o campo e criar erros do PSG, algo praticamente ausente em Paris.
- Gerenciar a linha defensiva: subir blocos sem se expor a diagonais longas de Mbappé e companhia requer sincronia entre zaga e volantes.
O que o PSG deve esperar em Anfield
Com a vantagem, Luis Enrique pode explorar cenários de transição, atraindo o Liverpool para o campo parisiense antes de acelerar pelos lados. Se Slot mantiver a linha de cinco, arrisca repetir as mesmas falhas; se abrir mão dela, terá de controlar a profundidade atrás de Robertson e Alexander-Arnold, tradicional ponto de ataque dos franceses.
Imagem: Ian Stephen
Conclusão prospectiva: O revés em Paris expôs um Liverpool emocionalmente abalado e taticamente hesitante. A volta em Anfield, porém, oferece ao clube inglês a chance de retomar sua identidade agressiva e reescrever a narrativa da temporada. Caso não consiga, a campanha 2025/26 ficará marcada pela ausência de títulos e pela escolha de uma estratégia que simbolizou mais medo do que ambição.
Com informações de Trivela