Goiânia, 29 de março de 2026 – A volta da MotoGP ao Brasil, após 22 anos de ausência, gerou um impacto econômico de R$ 1,14 bilhão na capital goiana durante o fim de semana de prova (22 a 24/03), segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Grande Prêmio, disputado no Autódromo Ayrton Senna e vencido por Marco Bezzecchi (Aprilia), registrou recorde de público com 148.384 torcedores.
Por que o impacto foi tão alto?
O volume financeiro superou em 31% a projeção inicial do Governo de Goiás (R$ 867 milhões). Três fatores explicam a diferença:
- Ocupação hoteleira de 100% durante o evento, impulsionada por turistas estrangeiros de Espanha e Argentina (18,5% cada).
- Aumento de 300% no fluxo do Aeroporto de Goiânia, refletindo a alta demanda por voos diretos e conexões.
- Ticket médio diário de R$ 6.856,28 por visitante, valor que inclui ingressos, hospedagem, alimentação e transporte.
Raio-X dos números
Empregos gerados: 10.838 (8.206 diretos e 2.632 indiretos)
Estados brasileiros com mais turistas: São Paulo (22,5%), Minas Gerais (5,8%), Paraná (5,6%), Santa Catarina e Distrito Federal (4,1% cada)
Nacionalidades estrangeiras: Espanha e Argentina (18,5%), Colômbia, Inglaterra e França (7,4%)
Contexto histórico: 22 anos de espera
O último GP brasileiro de MotoGP havia sido realizado em 2004, no antigo circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Desde então, questões de infraestrutura e calendário adiaram o retorno da categoria. A escolha de Goiânia faz parte de um acordo firmado para manter a etapa no Autódromo Ayrton Senna até 2030, prevendo investimentos públicos e privados em modernização da pista e áreas de hospitalidade.
O que muda para a temporada 2026
Com a etapa brasileira consolidada, a MotoGP expande sua presença na América do Sul em um momento em que o campeonato intensifica a disputa entre Ducati, Aprilia e KTM. A vitória de Bezzecchi o coloca em posição estratégica antes da terceira etapa, o GP das Américas, neste domingo (17h de Brasília, em Austin).
Próximos efeitos para Goiânia e para o turismo esportivo
O contrato até 2030 permite ao poder público planejar melhorias permanentes: ampliação de 12% na malha aérea prevista pela concessionária do aeroporto, incentivos fiscais para a cadeia hoteleira e programas de capacitação para mão de obra local. Estudos preliminares indicam potencial de R$ 6 bilhões acumulados de impacto até o fim do ciclo, tornando o GP um pilar do calendário esportivo brasileiro ao lado de Fórmula 1 e Stock Car.
Imagem: Internet
Em termos esportivos, a presença anual da MotoGP facilita a descoberta de novos talentos nacionais na motovelocidade, favorecendo iniciativas como a Copa Talent Cup Brasil, braço de formação que pode aproveitar a visibilidade gerada pelo evento.
Conclusão prospectiva: o retorno da MotoGP não apenas injetou capital imediato em Goiânia, mas estabeleceu um horizonte de longo prazo para a economia regional e para o motociclismo brasileiro. Com a etapa garantida até 2030, a expectativa é de crescimento contínuo de receitas, formação de empregos especializados e fortalecimento da indústria do turismo esportivo no Centro-Oeste.
Com informações de ESPN.com.br