Portugal e República Democrática do Congo empataram por 1 x 1 nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pela primeira rodada da Copa do Mundo. João Neves abriu o placar logo aos seis minutos, mas Yoane Wissa, de cabeça, deixou tudo igual nos acréscimos do primeiro tempo, resultado mantido até o apito final.
Como o jogo se desenvolveu
Após um início avassalador, no qual Pedro Neto encontrou espaço pela direita para cruzar na medida para João Neves, a seleção portuguesa controlou a posse (61%, de acordo com o relatório oficial da FIFA) e trocou mais passes que o adversário. Entretanto, a equipe de Roberto Martínez esbarrou na linha de cinco congolesa bem comandada por Axel Tuanzebe e Chancel Mbemba.
No último lance da etapa inicial, o lateral Arthur Masuaku aproveitou rara subida ao ataque para cruzar na segunda trave. Wissa se antecipou a Bruno Fernandes, completando para o fundo da rede. O gol não só empatou o jogo, como se tornou o primeiro da história da RD Congo em Copas.
Por que Portugal não transformou domínio em vitória?
1. Falta de profundidade pelos lados: o lado oposto a Pedro Neto — ocupado por Bernardo Silva e, depois, Francisco Conceição — pouco produziu. Wan-Bissaka venceu 75% dos duelos diretos, segundo o relatório de scouts da partida.
2. Cristiano Ronaldo discreto: aos 41 anos e 132 dias, o capitão tornou-se o jogador de linha mais velho a começar um jogo de Copa, mas finalizou três vezes, nenhuma no alvo. A maioria dos cruzamentos buscou a referência aérea, facilitando a leitura da zaga congolesa.
3. Erro de cobertura no gol sofrido: Bruno Fernandes, escalado como interior pela direita, não conseguiu acompanhar Wissa na bola aérea defensiva — detalhe que expôs a transição defensiva portuguesa, algo que já aparecera em amistosos pré-Copa.
Raio-X estatístico
Portugal
- Posse de bola: 61%
- Finalizações: 13 (3 no alvo)
- Gols marcados: 1
- Gols sofridos: 1
- Idade média do XI inicial: 28,4 anos
RD Congo
Imagem: IMAGO
- Posse de bola: 39%
- Finalizações: 9 (4 no alvo)
- Gols marcados: 1
- Bloqueios defensivos: 11 (líder Tuanzebe, com 4)
- Primeiro gol em Copas da história nacional
Impacto na tabela e nos próximos compromissos
Com o empate, Portugal soma um ponto e divide a liderança provisória do grupo. A equipe europeia terá mais duas partidas na fase de grupos para confirmar o favoritismo. Já a RD Congo, que chegou ao torneio como cabeça de chave C4, ganha moral significativa para brigar por uma vaga inédita nas oitavas.
Em termos de estratégia, a comissão técnica portuguesa deve avaliar:
- Possível entrada de Rafael Leão desde o início para oferecer profundidade à esquerda;
- Ajustes na marcação por encaixe em bolas paradas, setor que sofreu nos últimos três amistosos (dois gols).
O que esperar daqui para frente?
Se Portugal encontrar soluções para ativar seus pontas e aumentar a precisão nas finalizações — a taxa de chutes certos ficou em 23%, a quarta pior entre as seleções que já estrearam —, ainda é candidato forte à liderança do grupo. Para a RD Congo, manter a solidez defensiva e a eficiência de Wissa e Bakambu no contra-ataque pode ser a fórmula para surpreender novamente.
Na próxima rodada, uma vitória portuguesa recoloca a equipe em boa situação, enquanto um novo tropeço acenderá o alerta. Já os congoleses jogarão pela chance de fazer história, precisando de outro resultado positivo para sonhar com o mata-mata.
Com informações de Trivela